Análise de Love Eternal (Switch eShop)
Love Eternal é um jogo de plataforma que promete bastante emoção e desafios, e é bem apresentado em um estilo retrô com um formato de tela 4:3. Nele, acompanhamos Maya, uma adolescente que navega por um castelo solitário e as memórias distorcidas que o assombram. A aventura começa de forma clássica, com áreas cada vez mais complicadas, onde conhecemos as habilidades limitadas, mas eficazes, da nossa protagonista de cabelos brancos. Maya pode pular e dar saltos altos, mas sua habilidade principal é inverter a gravidade, fazendo com que ela caia de cabeça para cima. Essa mecânica é o destaque do jogo e traz uma dinâmica interessante.
Nos primeiros níveis, encontramos obstáculos típicos, como superfícies espinhosas e plataformas móveis, além de alguns quebra-cabeças que aparecem em cenários sombrios e peculiares. O que realmente chama a atenção são os fundos pintados à mão de cada fase, que criam uma sensação de imensidão que vai além da tela. A delicada rede que cobre os bairros suburbanos e palmeiras sugere um mundo maior, que é a prisão de Maya.
Embora inverter a gravidade não seja uma ideia inovadora (quem se lembra de VVVVVV?), em Love Eternal isso se torna o foco do jogo de uma forma bastante envolvente. Quando Maya inverte a gravidade, ela não pode fazer isso novamente até tocar em uma superfície. Em alguns momentos, há orbes vermelhos que reenergizam essa habilidade quando tocados no ar, produzindo um som satisfatório, como vidro se quebrando. Muitos níveis exigem que a gente navegue por um labirinto de obstáculos mortais sem nunca tocar o chão. Essa mecânica de recarga é fundamental e os orbes atuam como pontos de impulso, guiando o caminho. No entanto, é preciso ter cuidado com o tempo, pois inverter a gravidade no momento errado pode fazer Maya colidir com o teto, resultando em uma morte abrupta. Com o tempo, essa precisão se torna quase instintiva.
Enquanto exploramos o castelo, uma trilha sonora sutil e inquietante acompanha as nossas aventuras, criando um contraste interessante com os sons mais bruscos das mortes que vão acontecer — e você vai morrer, pode ter certeza. A dificuldade do jogo segue a tradição dos plataformas, onde, após dominar cada pequeno movimento em uma fase, você é jogado em um novo nível, que exigirá uma nova sequência de movimentos meticulosamente ordenados. Para os fãs de mecânicas desafiadoras, isso é um prato cheio. Já quem joga mais pela história pode ter uma experiência um pouco mais misturada.
Love Eternal se apresenta como um horror psicológico. No começo, isso se reflete bem na atmosfera, mas depois a história toma um rumo mais humorístico e até meta-narrativo. A introdução é rápida, mas impactante: Maya senta-se para o jantar com a família e, ao atender o telefone que toca, encontra silêncio. Ao voltar, descobre que todos desapareceram e a porta da frente está aberta. Saindo de casa, o jogo realmente começa, revelando um mundo de ruínas em uma paisagem estranha.
Enquanto Maya navega por esse ambiente labiríntico, ela encontra versões bizarras de sua vida e de seus familiares. Logo, ela começa a descobrir memórias de outros que, assim como ela, estão presos ali, até que se depara com a entidade que a mantém cativa. É nesse momento que o tom e a jogabilidade mudam drasticamente. O “deus” solitário que a aprisiona apresenta um PowerPoint cheio de clip arts, que, embora engraçado, ainda é assustador. Infelizmente, essa entidade revela seus planos e motivos, o que, como em qualquer história de terror, diminui um pouco o medo à medida que os mistérios são desvendados.
Após uma sequência de perseguição que, para mim, foi uma das partes mais fáceis, o formato do jogo muda para algo que lembra Inscryption. De repente, não estamos mais em um jogo de plataforma lateral, mas em uma experiência em primeira pessoa, onde Maya parece estar de volta à sua vida normal, mas com algumas coisas erradas. Seu irmão no lugar da irmã e um pai diferente, que é na verdade outro prisioneiro do “deus”. O que mais chama a atenção é que a entidade assumiu a forma de Lacey, uma amiga que havia cancelado planos com ela anteriormente.
Infelizmente, a jogabilidade nessa parte deixa a desejar. As ações são limitadas a “olhar”, “falar”, “usar” e “mover”. Cada cena exige que você escolha uma dessas opções para avançar, mas isso dá uma falsa sensação de escolha. Não consegui nem mesmo colocar o cereal na tigela antes do leite. A falta de controle pode ser aterrorizante, mas aqui, foi mais entediante do que qualquer coisa. Apesar de algumas cenas realmente perturbadoras, essa parte não foi agradável de jogar e quebrou bastante o ritmo.
Eventualmente, Maya consegue voltar para a parte de plataforma do jogo, mas há uma nova mudança para o meta que aparece mais adiante. O jogo recomeça, mas agora uma streamer está “jogando” e narrando a gameplay. O jogador mantém controle sobre os movimentos de Maya, mas a streamer recebe níveis diferentes do início do jogo, incluindo o nível final. Eu com certeza demorei mais do que o esperado para completar, pois a streamer ficou sem falas muito antes de eu conseguir avançar.
Durante essa parte, a trilha sonora falhou algumas vezes. Ficar sem som me fez perceber o quanto eu contava com o efeito sonoro dos orbes vermelhos para cronometrar meus movimentos. Reiniciar o jogo restaurou o som, mas ele ainda cortou mais algumas vezes ao longo da minha jogada. O final foi mais surreal do que substancial, e me deixou com a sensação de que perdi algo. No final, há mais um jogo dentro do jogo, um estilo de ação e aventura mais old-school. Tenho certeza de que alguém vai gostar de descobrir o que acontece se conseguir avançar o suficiente, mas quando cheguei ao meu “game over”, fiquei feliz em deixar minha experiência com Love Eternal em seu descanso bonito.
