Análise: controle Anbernic RG G01 para Switch 1 e 2

A Anbernic é uma fabricante de acessórios que se destacou, principalmente, no mercado de consoles portáteis retrô, lançando novos dispositivos de emulação em um ritmo acelerado. Embora a empresa não se aventure muito no mundo dos controles, quando faz isso, os resultados costumam ser bem variados. O primeiro controle da marca, o RG P01, foi comparado a cópias dos controles econômicos da 8BitDo, e dá para entender o porquê. Mas com o novo RG G01, a história é um pouco diferente — embora alguns ainda possam levantar a bandeira da comparação. Então, será que ele realmente vale a pena?

Com um preço de R$ 39,99, o RG G01 traz algumas características que podem surpreender para um acessório nessa faixa de preço. Ele conta com uma tela IPS e um monitor de batimentos cardíacos. Além disso, tem botões de face com microswitch, gatilhos de Hall Effect, controle de giroscópio de seis eixos, motores de vibração básicos e, o que parece ser um grande atrativo, joysticks analógicos capacitivos, que prometem evitar o famoso drift e ainda são mais eficientes em termos de energia.

Agora, falando sobre a sensação dos joysticks, eles são um pouco decepcionantes. Apesar de serem responsivos, ao movimentar os botões até o limite, o eixo metálico toca na parte plástica, o que gera um rangido que pode ser bem incômodo. Com tantos controles no mercado oferecendo uma experiência mais suave, essa questão parece antiquada. Os botões ABXY seguem o layout do Xbox e, infelizmente, não dá para trocá-los para o padrão do Switch. A boa notícia é que a tela embutida torna fácil remapear os comandos que você quiser, desde que você não se importe em não olhar para o controle enquanto joga.

Um ponto que realmente chama a atenção é o tamanho dos botões de face. Eles são pequenos, não tão diminutos como os do PS Vita, mas só um pouco maiores que os Joy-Con 2 da Nintendo. Após se acostumar com os botões confortáveis do Pro Controller da Nintendo, é complicado se adaptar a algo tão compacto.

Na parte de baixo do controle, temos os botões de função organizados em linha, o que não é a melhor disposição. Da esquerda para a direita, temos ‘Select’, ‘Capture’, ‘Home’ e ‘Start’. Ao segurar o botão ‘Home’ por alguns segundos, você acessa as configurações da tela IPS. A navegação não é por toque, mas sim pelo D-pad, onde você pode ajustar várias configurações como remapeamento de botões, modos de pareamento e calibração.

Agora, o monitor de batimentos cardíacos é algo que realmente deixa a gente coçando a cabeça. Ele fica no canto superior direito da tela e monitora sua frequência cardíaca a partir de um sensor localizado na parte lateral do controle. No começo, pensei que o sensor não estava funcionando, mas percebi que uma película estava cobrindo-o. Então, cuidado com isso! Apesar de funcionar bem, não entendo muito bem a utilidade desse recurso. Ele emite um alarme caso seu coração bata mais rápido do que o normal, e a vibração do controle serve como um aviso. Para que isso serve? Para monitorar a saúde ou para saber se você está curtindo o jogo? É uma adição bem estranha para um controle e espero que não se torne algo comum.

A duração da bateria é de cerca de 20 horas em uso normal, o que é razoável. O G01 também tem quatro entradas adicionais na parte de trás para remapeamento e funções de macro. No entanto, faltam algumas funções essenciais, como suporte para acordar o Switch 2, um botão dedicado para chat, NFC e HD rumble. A vibração é básica, mas é interessante que você consiga ver os motores por fora do controle.

Por fim, o controle tem uma faceplate de plástico removível que, honestamente, é bem feia. Eu não sou fã de acabamentos brilhantes, e essa face transparente dá uma impressão de barato. Retirá-la não é uma boa ideia, pois os motores de vibração ficam expostos, e isso parece arriscado.

O RG G01 parece ter sido feito mais para usuários de PC e Android do que para o Switch. Embora funcione como um controle para o console da Nintendo, ele não possui o layout correto dos botões nem as funcionalidades essenciais do Switch 2. É um controle esquisito, e não consigo definir bem para quem ele foi feito. A função de monitorar o ritmo cardíaco parece desnecessária, e a face transparente faz com que ele pareça mais barato do que já é. Existem opções muito melhores por aí, mas se você está em busca de algo diferente, pode ser que o G01 tenha seu valor.