Star Trek: Voyager – análise de Across The Unknown para Switch 2
Nos últimos anos, a Nintendo Switch recebeu alguns jogos da franquia Star Trek, e agora, com a chegada do Switch 2, temos uma nova adição ao catálogo, desenvolvida pela equipe alemã GameXcite. O título é Star Trek: Voyager – Across The Unknown, e, se você está preparado para uma jornada longa e desafiadora, pode ser a melhor opção até agora.
Antes de mais nada, é importante avisar: esse jogo não é para os fracos de coração. Se a sua ideia de explorar novos mundos é relaxar e se divertir, talvez seja melhor passar essa. Aqui, você vai enfrentar decisões difíceis e até perder personagens permanentemente na busca para levar a Capitã Janeway e sua tripulação de volta ao Quadrante Alfa. Mesmo na dificuldade mais baixa, pode ser necessário reiniciar algumas partes do jogo.
A trama se desenrola em 12 setores diferentes, onde você vai encontrar sistemas repletos de planetas e pontos de interesse. Durante a jornada, você vai coletar recursos como Deutério, Duranium e Tritanium, além de comida, enquanto interage com alienígenas e tenta encurtar uma viagem que, em teoria, levaria 70 anos. O clima de sobrevivência e gestão de recursos se encaixa perfeitamente com a situação da Voyager: uma nave da Frota Estelar presa em um canto distante da galáxia, tentando encontrar o caminho de casa.
O Desafio da Sobrevivência
Os perigos estão à espreita. Inimigos como os Borg, Kazon e Vidiians vão aparecer quando você menos espera, complicando ainda mais a sua missão. Os desenvolvedores conseguiram equilibrar bem a tensão: há nebulosas que dificultam a exploração, emboscadas em postos de comércio e uma estatística de moral que cai rapidamente se você não conseguir suprir as necessidades da tripulação.
A jogabilidade mistura a gestão de naves no estilo de FTL com uma visão lateral dos decks da Voyager, similar ao que vemos em Fallout Shelter. Você pode designar oficiais e “heróis” para diferentes setores da nave e aprimorá-los em missões. Por exemplo, B’Elanna Torres é expert em engenharia, o que reduz o tempo de construção no laboratório. Assim que você restabelecer a vida a bordo, poderá construir novos ambientes dedicados a Engenharia, Ciência e Combate, entre outros.
A História e Suas Ramificações
A narrativa segue de perto as sete temporadas da série, mas as suas escolhas podem mudar alguns desfechos. Às vezes, certos eventos nem acontecem se você não cumprir determinadas condições. Por exemplo, ao chegar a um planeta específico, Tuvok não estava na minha equipe ativa e, com isso, Neelix se aventurou sozinho, voltando sem problemas. E não faltaram perdas, como quando perdi meu chefe de segurança vulcano em um buraco negro durante uma luta. Aqui, você ganha algumas e perde muitas.
O jogo oferece três níveis de dificuldade, e eu joguei no nível “Sobrevivência”. Embora tenha encontrado frequentes mortes, um sistema de salvamento automático ajuda a evitar frustrações excessivas. Porém, é possível acabar em uma situação sem saída, o que leva a reiniciar uma seção do jogo. Um desafio em particular foi lidar com a moral da equipe em um setor, equilibrando a necessidade de suprimentos com a defesa.
Conflitos e Batalhas
As batalhas são um dos pontos altos. Comandos estratégicos permitem que você posicione a nave e escolha os alvos, e ainda é possível contratar naves aliadas para ajudar nas lutas. A cada vitória, você ganha a chance de desenvolver torpedos fotônicos, que podem ser disparados manualmente. É uma sensação ótima quando você consegue usar esses recursos na hora certa, mas a espera para desativar os escudos inimigos é crucial.
No entanto, a parte mais interessante é como você pode optar por fugir ou se render em situações difíceis, algo que descobri apenas após algumas jogadas. Isso pode não parecer heroico, mas, às vezes, é necessário. Mas com os Borg, não há como escapar.
Um Toque Visual e Sonoro
Visualmente, o jogo captura bem o estilo gráfico de Star Trek, e a Voyager está linda. Os fenômenos estelares e os detalhes da nave são bem renderizados, e os efeitos sonoros ajudam a criar uma imersão no universo da série. Apesar de algumas falhas técnicas, como pequenos bugs e uma interface um pouco confusa, a experiência geral é muito boa.
A música tema de Jerry Goldsmith está presente, assim como áudios de personagens como Tuvok e Tom Paris, que trazem um gostinho da série para os fãs.
No final das contas, Across the Unknown é um jogo que vale a pena para quem é fã de Star Trek e está disposto a enfrentar os desafios que a jornada traz. É uma experiência que mistura nostalgia com novas histórias, e mesmo com suas dificuldades, a vontade de voltar e explorar mais é grande.
