Pokémon Champions promete batalhas de alto nível, mas a que custo?
Desde que foi anunciado, eu já sabia que Pokémon Champions seria um desafio para fãs como eu. A verdade é que as batalhas nunca foram minha parte favorita da série — eu sou mais do tipo “capturar todos” do que “ser o melhor, como ninguém jamais foi”. Por isso, ao ver um jogo que prometia focar na ação e deixar de lado a aventura, já imaginei que não seria exatamente o que eu procurava. Depois de ter jogado por cerca de uma hora algumas semanas atrás, ainda não estou completamente convencido.
Consigo ver por que Pokémon Champions deveria existir e até reconheço seu potencial para atrair treinadores que, como eu, têm um pé atrás com batalhas. Mas ainda tenho algumas dúvidas, especialmente em relação às muitas moedas que o jogo oferece. Para quem não acompanhou os trailers meio estranhos até agora, Pokémon Champions é um jogo de batalha que lembra o ótimo Pokémon Stadium do N64, ou o menos impressionante Battle Revolution do Wii. Ele reúne alguns recursos de gerações anteriores, como a Terrastalização e as Mega Evoluções, em batalhas individuais ou em dupla, facilitando a personalização dos movimentos, habilidades e estatísticas dos Pokémon entre os combates.
A proposta é se tornar o formato principal para competições internacionais, e nesse aspecto, o jogo parece estar indo muito bem. As batalhas competitivas são enormes, e qualquer mudança que a Pokémon Company consiga fazer para evitar a repetição de interface e visuais a cada geração é bem-vinda. Isso também abre espaço para que os jogos principais se sintam mais à vontade para experimentar novas mecânicas de batalha, sem o medo de bagunçar as competições. E, se Legends: Z-A me ensinou algo, é que uma pequena mudança nas batalhas de vez em quando é sempre bem-vinda.
Com isso em mente, acredito que o potencial competitivo é a razão principal para a existência de Champions. A Pokémon Company tem sido um pouco reservada sobre o que estará disponível na integração com o Pokémon HOME no lançamento — mencionando que apenas “certos Pokémon” que você treinou no passado poderão ser transferidos para Champions, enquanto nenhum Pokémon encontrado neste jogo poderá voltar ao HOME. No entanto, à medida que a integração for melhorando, o HOME certamente será o jeito que a maioria dos treinadores usará para levar seus Pokémon favoritos para o jogo. E por que isso é importante? Porque o método de captura de Pokémon dentro do jogo é bem limitado.
Depois de uma breve introdução sobre as regras das batalhas, minha experiência prática passou para a parte de montar meu time. Preste atenção na palavra “montar” e não “capturar”. Se você não estiver importando Pokémon pelo HOME, a construção do time em Champions acontece no Roster Ranch, onde você pode recrutar um Pokémon de uma seleção aleatória a cada dia. E sim, você só pode visitar o Roster Ranch uma vez por dia de graça; para voltar, precisa gastar VP (Pontos de Vitória). Para recrutar permanentemente um Pokémon, também é preciso gastar VP, ou você acaba ficando com um “Recrutamento de Teste” de sete dias, onde pode experimentar o Pokémon sem a chance de ajustar suas estatísticas.
Existem ainda os ‘Quick Coupons’ que reduzem o tempo de espera para recrutar novamente, e os ‘Teammate Tickets’ que permitem recrutar sem gastar VP. São muitas moedas diferentes, não é mesmo? Todas essas moedas podem ser obtidas através de batalhas online e completando missões — com missões bônus para quem paga. Fiquei preparado para receber uma mensagem do tipo “Ganhe 1.000 Quick Coupons por apenas R$ 4,99!”, mas isso não aconteceu. O representante que me acompanhou na sessão não pôde comentar muito sobre quais elementos do jogo seriam pagos. No entanto, com a experiência que já tenho com esses jogos, percebo os sinais de que Champions pode estar cheio de armadilhas de monetização.
Após resolver as questões no Roster Ranch, as coisas pareciam promissoras na parte das batalhas. Tive a chance de explorar o centro de treinamento, onde pude ajustar os Pontos de Estatística (HP, Ataque, Defesa, Velocidade etc.), Alinhamento de Estatísticas (semelhante às Naturezas dos jogos anteriores) e Movimentos e Habilidades. Fiquei impressionado com a simplicidade de tudo isso. Sempre tive dificuldade em entender os EVs e IVs nos jogos principais, então ter um gráfico de Estatísticas e a possibilidade de investir Pontos neles tornaram o processo muito mais acessível.
Depois de escolher os itens e decidir quais seis Pokémon formariam meu time inicial — tem até um botão de ‘Auto Team Build’ que monta automaticamente a melhor combinação de itens para cada um — era hora de batalhar. Apesar de ter dito que gostaria de ver mudanças na fórmula das batalhas de Pokémon, reconheço que há um motivo para esse formato ter se mantido por tanto tempo. As batalhas em Champions são tão estratégicas quanto em qualquer jogo principal, com centenas de maneiras de abordar cada encontro. Como já acontece desde a Geração VII, a classificação de Eficácia do Tipo aparece sob cada movimento de ataque, e Champions introduz uma nova faixa “Extremamente Eficaz” para enfatizar ainda mais a vantagem.
Visualmente, os gráficos estão longe de ser o que muitos esperam de uma franquia tão gigante como Pokémon, mas estão melhores do que em Scarlet e Violet, que é um alívio. Os modelos dos Pokémon parecem mais limpos, e alguns movimentos têm novos efeitos visuais bem interessantes — eu gostei bastante de movimentos que mudam o clima, como Tempestade de Areia ou Dia Ensolarado, que agora visualizam as mudanças de forma mais clara. Infelizmente, como meu time era formado apenas por recruta aleatória, minhas batalhas estavam praticamente decididas antes mesmo de começarem. O que meu time de Pokémon B-tier poderia fazer contra um oponente que tinha a sorte de conseguir um Charizard, Blastoise, Gengar e Dragonite? Acredito que a integração com o HOME resolverá isso para quem quiser trazer um time específico de um jogo anterior, mas é bom ficar atento: a justiça das equipes montadas em Champions dependerá da sorte ou de quem gastar mais dinheiro para ter novas chances.
No geral, Champions parece ser um bom caminho para o futuro das batalhas competitivas. Tenho certeza de que também atrairá jogadores mais casuais, através de sua versão móvel, a promessa de ser “grátis para começar” e a abordagem acessível para formação e treinamento de times. Mas a quantidade de tipos de moeda e a perspectiva de armadilhas de “pague para ganhar” deixaram um gosto amargo. A data de lançamento em abril está chegando, mas vou precisar de mais garantias de que não precisarei gastar dinheiro de verdade para aproveitar o melhor da ação na tela.
