Mario Kart merece reconhecimento, sem comparações com MK8 Deluxe
Às vezes, quando eu abro a janela do carro, me pego pensando no mundo de Mario Kart. Estou sozinho no volante, ouvindo uma música indie ou rock alternativo dos anos 2000, enquanto a brisa toca meu cabelo. É uma manhã tranquila, o trânsito flui leve e o sol brilha quente. Posso estar admirando a paisagem familiar ou pensando em jogar uma casca de banana no carro à frente (mas não faça isso, tá?).
Eu adoro o mundo de Mario Kart! É uma verdadeira mistura de calma e caos, uma experiência divertida, tanto jogando sozinho quanto com amigos. É como fazer uma viagem de carro para conhecer novos lugares, mas, de vez em quando, você se vê em uma rodovia maluca, cheia de vacas, tartarugas e raios voando para todo lado. E agora, Mario Kart precisa abrir caminho para a nova geração do Switch 2, trazendo o primeiro jogo totalmente novo da série em mais de uma década, sucedendo o Mario Kart 8 Deluxe. Esse jogo é quase um marco, com quase 100 pistas e 50 personagens jogáveis, se considerarmos os DLCs. Esperar que cada novo jogo alcance esse nível é um pouco irrealista, né? É como querer que todo filme seja um blockbuster.
Por isso, eu gostaria que as pessoas parassem de comparar o novo Mario Kart com o 8 Deluxe. O 8 Deluxe é uma verdadeira festa para os fãs, um verdadeiro espetáculo da série. Ele não só é o jogo de kart mais vendido de todos os tempos, como também o jogo de Mario que mais vendeu. E, embora tenha uma quantidade incrível de conteúdo, o que realmente mudou em MK8? Algumas novidades como a gravidade reversa e novos itens? No fundo, a experiência de corrida casual em Mario Kart World não é tão diferente assim. Se eu sento para jogar uma corrida padrão com amigos e família, a experiência é similar ao que já conhecemos. É divertido, bonito no Switch 2, mas é Mario Kart, o que mais poderia haver?
Muita gente ficou um pouco desapontada com o mundo aberto, que alguns achavam que seria o grande destaque do jogo. E, de certa forma, é compreensível, pois as expectativas foram altas. Não se trata de um mundo como o de Forza, onde você precisa completar uma lista de tarefas. É mais um grande playground, cheio de coisas para fazer, mas sem obrigações. Passei um bom tempo dirigindo de um lugar a outro, explorando cada cantinho do mapa, atrás de P Switches e colecionáveis. Isso me permitiu apreciar a beleza de cada ambiente, como as folhas verdes ao redor do Estádio da Peach que mudavam lentamente para dourado em Cheep Cheep Falls. Eu mergulhava no rio e deixava a correnteza me levar até Salty Salty Speedway, onde as pedras de cor ferrugem me lançavam em direção ao oceano, em meio às ruínas do Wario Shipyard.
Dali, eu podia ver terras geladas ao norte e uma praia cintilante ao sul. Nunca antes eu consegui ver tanto em um jogo de Mario Kart. Não eram apenas pistas jogadas aleatoriamente; tudo fazia sentido na ordem, no posicionamento e no layout. O mundo aberto é como uma ostra cheia de possibilidades, onde você pode criar corridas fictícias, procurar homenagens a Donut Plains ou tirar fotos engraçadas. Enquanto muitos jogos de corrida são um festival de cores e uma explosão sensorial, Mario Kart World me dá um momento para respirar. Assim como Breath of the Wild, tem coisas para fazer e uma história, mas, no fim das contas, o mundo é uma tela em branco e eu sou o pincel.
Quando estou nas pistas, competindo com outros ou completando desafios opcionais, minhas opções são maiores do que nunca. Às vezes, Mario Kart é visto de forma simplista, mas World trouxe uma série de mecânicas que tornam a experiência a mais profunda que já joguei. Sou bom em 8 Deluxe porque a corrida em si é bem simples e conheço as pistas. Mas, numa partida online de Mario Kart World, é uma verdadeira batalha. Fico para trás porque todo mundo parece ser um expert em saltos nas paredes e em drifts estratégicos, enquanto eu mal consigo terminar em 16º lugar.
Fico radiante quando consigo fazer um wall-ride perfeito e pulo para um beco para pegar um Medallion da Peach, mas pedir para que eu repita isso em um Knockout Tour online é pedir demais. Com as mãos suadas e uma chuva de cascas de banana me atingindo, a pressão é real. Não é mais só pegar moedas e driblar na hora certa para ganhar; agora, preciso realmente entender o jogo a fundo. Admiro essa abordagem. O número de truques e manobras necessárias para economizar milissegundos em uma corrida é impressionante, e ver alguém executando todos esses movimentos é algo realmente incrível.
Na verdade, quando jogo online (ou com amigos), o que mais faço é abraçar o caos dessas corridas com 24 competidores. O Knockout Tour, até hoje, é a parte que mais gosto de World. É uma verdadeira bagunça, onde equilíbrio e habilidade importam, mas, em um estilo meio Mario Party, às vezes você só tem que se submeter à sorte. A quantidade de itens espalhados pelo caminho me faz rir e, ao mesmo tempo, entrar em pânico. Por que precisamos de tantas bananas, moedas ou armadilhas em um só lugar, especialmente quando estou tentando evitar três cascas de banana em volta dos meus concorrentes?
Quando consigo chegar entre os quatro finais, é uma adrenalina pura por 10 a 15 minutos, com diferenças mínimas e uma corrida alucinante até a linha de chegada. E, sinceramente, não me importo se ganhar é por sorte. É Mario Kart; estou ali para me divertir, abraçar o caos e relaxar depois. Essa parte é crucial e faz toda a diferença, tornando essa experiência de Mario Kart única em comparação com as anteriores. Mario Kart sempre foi um jogo que eu tirava da prateleira para algumas corridas com amigos, e depois guardava até a próxima reunião. Agora, enquanto jogamos, não estamos apenas assistindo à tela de espera; estamos correndo por savanas ou terrenos vulcânicos, aproveitando a paisagem.
Um ano atrás, eu chamei Mario Kart World de “a introdução perfeita” para a nova geração da Nintendo, e hoje, essa ideia só se fortaleceu. Em Donkey Kong Bananza, você pode destruir tudo que quiser. Em Pokémon Pokopia, pode reconstruir o mundo como desejar. Em Kirby Air Riders, a velocidade e a emoção são ilimitadas. Todos esses jogos misturam familiaridade, calma, caos e liberdade. E Mario Kart World deu o pontapé inicial nessa nova fase.
Eu sei que não é uma reinvenção completa, mas é uma mudança. O Switch 2 tem muito mais a oferecer do que o modelo anterior, e World mostrou isso desde o primeiro dia. Eu adoraria ver mais de 30 pistas, e claro, DLC seria bem-vindo, mas o ano de atualizações também ajudou a suavizar algumas arestas. Antes do 8 Deluxe, Mario Kart nunca teve DLC. Agora, há muitas oportunidades no mundo aberto para se divertir, e uma vez que você deixa de lado a mentalidade de ganhar, o Knockout Tour se torna uma experiência incrível. Mario Kart 8 Deluxe é o que sempre conhecemos, mas World traz algo diferente. Não é apenas uma água com limão; é uma mistura refrescante de sabores cítricos onde você pode relaxar ou se divertir de maneira caótica. Um jogo marcante para o Switch 2, que merece muito mais amor do que recebe.
