Observer: análise de System Redux para Switch 2

Imagina um futuro distópico e cyberpunk, com chuvas eternas e um clima pesado. Agora, adicione pessoas comuns buscando melhorias corporais e alívio em drogas. E, claro, não podemos esquecer do grande Rutger Hauer. Pois é, até aqui tudo parece Blade Runner. “Observer: System Redux” não esconde suas influências e faz isso com estilo, entregando uma homenagem aos filmes de mistério de ficção científica que é ao mesmo tempo emocionante e cheia de referências ao gênero.

Desenvolvido pela Bloober Team, um estúdio polonês que já ficou famoso pelo remake de Silent Hill 2, “Observer” se passa em uma versão futurista de Cracóvia, em 2084. Rutger Hauer dá vida a Daniel Lazarski, um detetive cansado de tudo que está em busca de seu filho. Ele é um dos muitos “Observers”, indivíduos que usam tecnologia de hacking para entrar na mente das pessoas e reviver suas memórias. Essa premissa já é um excelente ponto de partida para uma história de ficção científica, mas o jogo vai além em suas 8 a 10 horas de jogabilidade, com uma atenção impressionante aos detalhes e um compromisso genuíno com a ambientação futurista.

A busca de Lazarski por seu filho o leva a um complexo de apartamentos decadente. Durante essa jornada, você utilizará tanto a Bio Visão quanto a Visão Eletromagnética para encontrar pistas, que podem variar de manchas de sangue a tecnologias escondidas. Às vezes, o próximo objetivo da história pode não ser tão claro, mas as missões secundárias garantem que sempre haja algo para fazer, mesmo quando você estiver um pouco perdido. Resolver esse mistério leva tempo, e a jogabilidade é bem desenhada para isso; até mesmo as mecânicas mais simples ganham vida com o realismo sombrio de cada apartamento e a fidelidade gráfica impressionante.

Mas não se acostume demais com a calmaria, já que os momentos de horror em “Observer” são de deixar os nervos à flor da pele. Sequências que distorcem a realidade utilizam visuais deslumbrantes e um design de som impactante, fazendo você sentir que está se aprofundando na mente de outra pessoa. Além disso, alguns sustos bem colocados quebram a tensão de forma eficaz. Para os fãs de ficção científica, é divertido ver ideias sobre aumentos corporais, como as de “Ghost in the Shell”, serem exploradas com um toque de horror corporal.

Essa versão de “Observer”, lançada para o Switch 2, é uma atualização do jogo original de 2017, que chegou ao Switch em 2019. A performance é consistente e impressionante, com visuais nítidos e uma taxa de quadros estável, embora haja algumas pequenas falhas gráficas. As sombras profundas e os tons verdes e escuros em um clima de filme noir ficam incríveis no modo HDR do portátil, mas não espere que a escuridão do jogo se destaque ao jogar em um parque ensolarado.

Os controles também funcionam bem, seja com o Pro Controller ou no modo Mouse. Este último, em particular, é uma forma muito satisfatória de explorar esse mundo, embora, em alguns momentos, eu tenha sentido que os elementos interativos poderiam ser maiores ou mais fáceis de identificar. Muitas vezes, fiquei tentando acertar o comando com o Joy-Con.

“Observer: System Redux” é um excelente mistério de homicídio em um cenário de ficção científica, repleto de detalhes e reverência ao gênero, mas com um toque sombrio que oferece uma exploração cativante de temas já conhecidos. Felizmente, o Switch 2 mantém a qualidade gráfica, e o modo Mouse proporciona uma ótima interação com esse rico universo cyberpunk. Se você não se importa com algumas pequenas concessões gráficas, essa pode ser a melhor maneira de aproveitar “Observer” até agora.