Análise de Dark Scrolls para Switch na Nintendo Life
Se você está em busca de um jogo que vale a pena gastar seus R$ 49,90, Dark Scrolls é uma ótima opção. Esse título indie, que mistura elementos de Soulslike com um side-scroller, se tornou um dos meus passatempos favoritos para aqueles momentos em que estou esperando um trem ou só quero relaxar. Embora não tenha uma jogabilidade super profunda nem um mundo vasto para explorar, ele entrega uma experiência divertida pelo preço que cobra.
Definir Dark Scrolls apenas como um “Soulslike” é simplificar demais. O jogo também traz influências de roguelikes e até mesmo do clássico Sonic the Hedgehog. A desenvolvedora Doinksoft, conhecida por jogos como Gato Roboto e Gunbrella, coloca você direto na ação, oferecendo três personagens para escolher e pouco mais para se preparar antes de iniciar sua primeira partida.
Quando comecei, fui atraído pelo personagem chamado Pigeon, só pelo nome engraçado e pela semelhança com o Link de Zelda. Ele é rápido e ágil, realizando saltos longos e atacando com facas em um ritmo acelerado. No entanto, confesso que essa velocidade foi um desafio nas minhas primeiras tentativas. O jogo está repleto de obstáculos e inimigos, e acabei esbarrando em tudo, perdendo vida rapidamente antes de conseguir atacar.
Foi aí que decidi jogar com Grizz, que é um verdadeiro “monstro” em termos de força. Ele empunha um monte de machados e, o melhor de tudo, se move em um ritmo bem mais tranquilo. Seu ataque especial, um golpe no chão que derruba inimigos, foi uma mão na roda contra um sapo irritante que pula de forma imprevisível. Já o terceiro personagem, Emerys, é um mago que flutua e lança esferas de energia. Apesar de ter algumas habilidades legais, ele não me empolgou tanto quanto os outros.
Quando voltei a testar o Pigeon, as mecânicas do jogo começaram a fazer sentido. Os elementos roguelike são evidentes: a cada partida, você coleta uma moeda e, ao juntar 100, ganha um cristal azul que pode ser trocado por melhorias, como aumento de velocidade ou uma bolha de proteção. A influência do Sonic ficou clara quando descobri seu movimento especial, um duplo salto que o torna momentaneamente invulnerável e permite que ele jogue facas. Com isso, consegui explorar rotas mais altas, que, embora difíceis de manter, oferecem recompensas maiores.
Como todo jogo do gênero Soulslike, morri bastante no início. Os primeiros momentos são desafiadores, e eu frequentemente consultava o manual, tentando descobrir se havia algum truque que eu estava perdendo. Mas, com o tempo, tudo se encaixou e áreas que antes pareciam impossíveis se tornaram bem mais fáceis.
Ainda assim, um movimento errado pode te colocar em apuros, mas as melhorias que você conquista e os níveis que ganha durante a fase ajudam bastante. Dark Scrolls não esconde sua inspiração em jogos da FromSoftware, incluindo até fogueiras entre os níveis. Quando me acostumei com a dinâmica do jogo, ele não parecia tão punitivo quanto outros títulos da mesma linha. A apresentação é leve e cativante, com uma trilha sonora alegre e um estilo de arte em 16 bits que é um charme.
Os níveis são bem estruturados, com inimigos tentando atrapalhar sua plataforma, desafios no meio do caminho e um chefe no final de cada fase. Embora a satisfação de derrotar um chefe em Dark Scrolls não chegue ao mesmo nível de um jogo como Elden Ring, a proposta aqui é mais leve e acessível.
Claro, alguns problemas aparecem. Jogar com o analógico pode ser complicado, pois o jogo parece ter sido pensado para o D-Pad. O controle do personagem fica meio estranho e, em momentos, me vi me agachando quando queria correr para escapar de inimigos. Além disso, apesar de visualmente bonito, às vezes é difícil enxergar um zumbi surgindo do chão enquanto enfrento uma aranha gigante.
Dark Scrolls consegue equilibrar a repetitividade agradável de um roguelike com os desafios típicos do gênero Soulslike. Com seis personagens desbloqueáveis além dos três iniciais, cada um com suas habilidades e estilos de combate únicos, a diversidade de jogabilidade é grande. Pelo preço, é uma experiência que vale a pena, especialmente para quem aprecia arte em pixel ou jogos desse tipo.
