Denshattack! análise para Switch 2 | Nintendo Life

Desde o momento em que vi Denshattack!, algo nele me encantou de imediato. Seria a paleta de cores vibrantes, inspirada no Dreamcast? A música animada? Ou talvez o fato de você realizar manobras incríveis e deslizar em trilhos em um trem? Provavelmente, os três fatores juntos. Mas a grande questão era: o jogo ofereceria profundidade e durabilidade, além de sua ótima apresentação, ou seria só uma cópia sem graça de Subway Surfers? Fico feliz em dizer que Denshattack! é uma experiência divertida que resgata aquele clima dos jogos dos anos 2000, como Jet Set Radio e Crazy Taxi. O lado negativo, no entanto, é que o jogo é cercado por um excesso de conteúdo desnecessário que acaba atrapalhando a experiência.

Ao assumir o papel de Emi Araki, você é puxado de um trabalho monótono como entregador de ramen para se tornar um Denshattacker, mergulhando em um mundo onde os motoristas de trem transformam suas locomotivas em enormes skates metafóricos para vencer corridas e acumular pontos. Ao longo do caminho, você vai conhecer uma variedade de personagens coloridos e extravagantes, mas a narrativa e os diálogos excessivos logo se tornam cansativos. É um alívio poder pular essas sequências, pois logo percebi que não estava tão interessado na história principal. Embora você receba informações sobre os adversários e seus papéis, muitas vezes isso acaba parecendo um peso desnecessário, alongando um enredo que poderia ser mais dinâmico.

Um nível específico exige que você deixe passageiros em estações ao longo da trilha. Apesar da clara referência a Crazy Taxi, essa poderia ter sido a essência do jogo. Pegar passageiros, deixá-los e marcar pontos – simples assim. Mas Denshattack! acaba se complicando e se tornando algo que não precisava ser.

Felizmente, a jogabilidade é excelente. Os níveis são compostos principalmente por caminhos definidos que você segue automaticamente, e sua missão é chegar ao final em grande estilo. Você começa aprendendo o básico, como fazer curvas, saltar obstáculos e realizar truques no ar. Com o tempo, novas habilidades vão sendo introduzidas, como deslizar em trilhos e até sair dos trilhos para um pouco de caos livre. Não espere dominar tudo de imediato; você vai passar um bom tempo batendo em paredes e recebendo medalhas de bronze que, convenhamos, são bem frustrantes. Mas essa é a graça! Com o tempo, você vai se familiarizando com os controles, e quando tudo se encaixa, a experiência se torna incrivelmente satisfatória, te levando a querer repetir os níveis para conquistar medalhas de ouro e bater seus próprios recordes.

Conectar truques de forma perfeita é uma sensação eletrizante, especialmente quando você ativa os trilhos “arco-íris”, que aparecem após alcançar um certo nível de combos, permitindo explorar novas rotas e aumentar seus pontos de forma exponencial. E se isso fosse tudo, a repetição poderia se tornar monótona rapidamente. Mas a desenvolvedora Undercoders se esforçou para garantir que cada nível tenha algo único, seja navegando por um vulcão evitando bolas de fogo, ou coletando partes de fantasias para uma participação em uma peça de Kabuki – sim, isso acontece!

A apresentação do jogo é um show à parte. Denshattack! é claramente uma homenagem à era do Dreamcast da Sega, com seus céus azuis vibrantes e trens amarelos, além de efeitos especiais exagerados e contornos marcantes. A trilha sonora original é boa, embora algumas músicas lembrem Splatoon, o que é um baita elogio. O jogo roda muito bem no Switch 2, com poucos drops de quadro e reinícios quase instantâneos quando você bate. Isso elimina a frustração em níveis difíceis, pois você pode recomeçar rapidamente sem se sentir punido. Claro, sua performance final será impactada, mas a prática se torna uma parte divertida da experiência.

Fora os níveis principais, você também pode personalizar seu trem com novas cores, padrões e adesivos. Embora isso seja mais uma escolha estética, é legal adicionar um toque pessoal ao seu veículo. Existem ainda níveis de onsen que oferecem uma pausa na ação para explorar as relações entre os personagens enquanto relaxam nas fontes termais. Isso acaba alongando a duração do jogo (cerca de 10 a 15 horas), mas você pode sair dessas partes rapidamente se não quiser interagir.

Denshattack! é uma homenagem eficaz à era do Dreamcast da Sega, sem parecer uma cópia direta. Usar um trem para realizar manobras malucas e aumentar sua pontuação pode parecer absurdo, mas funciona muito bem. O jogo convida você a jogar repetidamente para perfeccionar suas manobras e conquistar medalhas de ouro. É uma pena que o núcleo da experiência seja cercado por conteúdo desnecessário. Você pode pular a maior parte, mas Denshattack! teria brilhado ainda mais se os desenvolvedores tivessem aprofundado suas inspirações arcade. Mesmo assim, o jogo vale muito a pena, especialmente pela sua jogabilidade, e há uma base sólida aqui para uma sequência ainda melhor no futuro.