Varejista britânico GAME entra em administração com dívida de £16 milhões

Recentemente, novas informações sobre a queda da GAME, uma das principais varejistas de games do Reino Unido, vieram à tona. De acordo com um relatório dos administradores James Saunders e Lauren Wentworth, a empresa entrou em administração em abril deste ano, com quase 16 milhões de libras em dívidas. Dentre esse montante, 3,35 milhões eram de credores garantidos e 12 milhões de credores não garantidos.

A GAME já foi a escolha de muitos jogadores na Inglaterra, especialmente após ter adquirido a GameStation, mas diversos fatores contribuíram para seus problemas. Entre eles, a mudança no comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais optando por jogos digitais em vez de físicos, além das incertezas trazidas pelo Brexit e a competição crescente no setor. Mesmo com a compra pelo Frasers Group em 2019, a GAME enfrentou dificuldades nos anos seguintes, culminando em um último trimestre desastroso em 2025. A falta de lançamentos de consoles desde 2020 e a escassez global de chips também foram citadas como razões para a crise.

Atualmente, a GAME não possui mais lojas físicas independentes no Reino Unido, limitando sua presença a lojas concessionárias dentro da Sports Direct. E com a Sony confirmando que irá acabar com os discos físicos a partir de janeiro de 2028, a necessidade de varejistas especializados em games parece estar diminuindo. Vamos ser sinceros: quem vai sair de casa para comprar um código em uma caixa?

As lojas menores e independentes podem se beneficiar ao focar em produtos retro nesse momento. Caso contrário, o que veremos serão prateleiras cheias de bonecos Funko, o que não é o sonho de muitos gamers.

Em fevereiro, a GAME já havia fechado suas três últimas lojas independentes, passando a operar apenas concessionárias. O diretor administrativo Nick Arran, que estava na empresa há quase nove anos, também saiu. No auge de suas operações, a GAME contava com mais de 600 lojas no Reino Unido, número alcançado em parte por meio da aquisição da GameStation em 2007. Agora, essa presença se esvaiu praticamente por completo, restando apenas as lojas concessionárias em mais de 200 locais.

O site da GAME continuará funcionando normalmente por enquanto, mas o futuro da empresa é incerto. Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a GAME enfrenta dificuldades; em 2012, a varejista já havia entrado em administração, resultando no fechamento de 277 lojas e na perda de mais de 2 mil empregos. Na época, grandes editoras de jogos também haviam se recusado a fornecer estoque para a GAME, o que dificultou ainda mais sua situação.

Após a administração de 2012, a GAME foi comprada pelo fundo de private equity OpCapita e, posteriormente, vendida ao Frasers Group em 2019. Desde então, as lojas independentes foram sendo fechadas, e as concessionárias se tornaram a nova estratégia. Hoje, a GAME não vende mais jogos usados e seu programa de recompensas foi encerrado.

A sede da empresa em Basingstoke também fechou em 2025, e a expectativa é que, nos próximos dias, a situação da GAME se desenrole de forma ainda mais crítica. Infelizmente, não parece que alguém esteja disposto a salvar a varejista desta vez. Seria ótimo ver a GAME se reerguer e se transformar em um local vibrante, cheio de jogos físicos únicos e especiais, mas isso parece um sonho distante.