Análise da edição Devil Hunter de Devil May Cry 5 para Switch 2
Nos últimos anos, a Capcom se destacou como uma das publicadoras mais ativas e consistentes, lançando um sucesso atrás do outro. Essa fase de renascimento começou em 2017 com Resident Evil 7: Biohazard, mas foi em 2019, com os lançamentos de Resident Evil 2 e Devil May Cry 5, que a empresa consolidou sua posição no mercado. Desde então, vários jogos da série Resident Evil foram lançados, mas a saída do veterano Hideaki Itsuno, responsável por Devil May Cry, em 2024, deixou algumas incertezas sobre o futuro da franquia. No entanto, o lançamento de Devil May Cry 5 Devil Hunter Edition para o Switch 2 traz uma nova oportunidade para que um público ainda maior conheça o que muitos consideram a melhor versão do jogo.
Se você não está muito por dentro da história da série, fique tranquilo. Devil May Cry 5 traz um vídeo que resume os acontecimentos até aqui. Não é um resumo completo, mas ajuda a entender o que vem pela frente. Em resumo, três protagonistas — Nero, V e Dante — se unem para enfrentar um demônio poderoso chamado Urizen. A narrativa do jogo é uma montanha-russa bem equilibrada, cheia de reviravoltas.
Para quem já jogou títulos anteriores, a jogabilidade não deve surpreender. Ao longo do jogo, você enfrentará uma infinidade de inimigos em arenas menores, onde a saída só é liberada após derrotá-los todos. O jogo também classifica seu desempenho em cada batalha, incentivando você a ser criativo nas suas abordagens. Embora seja possível vencer apenas apertando os botões freneticamente, é melhor tentar criar combos e provocações para aumentar sua pontuação.
Cada personagem possui habilidades únicas que ajudam nessa tarefa. Nero, por exemplo, é bem equilibrado, utilizando sua espada Red Queen e a pistola Blue Rose de maneira eficaz. Ele também tem o Devil Breaker, um braço cibernético personalizável com várias habilidades. Você pode carregar vários Devil Breakers ao mesmo tempo, o que é inteligente, já que eles são bastante frágeis. Usar um ataque carregado ou ser atingido enquanto usa um Devil Breaker reduz seu número de opções, mas isso também incentiva a experimentação.
O primeiro Devil Breaker, chamado Overture, solta uma descarga elétrica, eliminando inimigos menores de uma vez e causando grandes danos a chefes. Outros Devil Breakers têm funções variadas, desde lançar mísseis guiados até aumentar o poder das armas de Nero. Um dos meus favoritos é o Mega Buster, inspirado em Mega Man, que dispara três tiros rápidos quando carregado.
Mudando para Dante, o protagonista da série, ele mantém a habilidade de trocar de estilos de combate, algo que foi uma marca registrada dos jogos anteriores. Um toque no D-pad permite que você altere seu estilo de luta, trazendo pequenas mudanças para cada confronto. Além disso, você pode trocar de armas rapidamente, começando com a espada Rebellion e os braços Balrog para combate corpo a corpo, além das pistolas Ebony & Ivory e a espingarda Coyote-A para ataques à distância. À medida que avança, você ganha novas armas, mas vou deixar que você descubra quais são.
Ao derrotar inimigos, você também carrega a habilidade Devil Trigger, que permite que Dante entre em uma forma demoníaca por um curto período. Isso aumenta significativamente seu poder de ataque e velocidade, sendo uma ótima alternativa para enfrentar vários oponentes ao mesmo tempo.
Já V, o terceiro protagonista, é um pouco mais frágil. Ele convoca criaturas para ajudá-lo nas batalhas, como Griffon, um pássaro que cuida do combate à distância, Shadow, uma criatura semelhante a um gato para ataques corpo a corpo, e Nightmare, um demônio gigante que age de forma independente. V não é completamente inútil, pois quando os inimigos estão com pouca vida, você pode usar seu bastão para teleportar até eles e finalizar a luta. No entanto, a mecânica de controle de V pode deixar a experiência um pouco desconectada em comparação com Nero e Dante.
Felizmente, as partes jogáveis de V não são tão frequentes, principalmente conforme você avança na história, onde Dante e Nero compensam bem suas limitações. E não podemos esquecer de Vergil, o irmão de Dante, que também pode ser jogável. Ele tem um estilo próprio de campanha que é mais divertido do que canônico, então não leve tão a sério. Vergil é rápido e poderoso, oferecendo uma jogabilidade bem divertida após concluir a história principal.
Essa nova Devil Hunter Edition no Switch 2 é, em sua essência, uma versão do que já havia sido lançado anteriormente. A grande novidade é a possibilidade de jogar como Vergil, além de algumas cores e Devil Breakers extras. Contudo, uma das melhores adições da edição especial, o modo Legendary Dark Knight, não está presente. Esse modo aumentava consideravelmente o número de inimigos na tela, e provavelmente o Switch 2 não conseguiria manter o desempenho de 60fps com essa carga. Portanto, sua ausência significa que essa não é a versão definitiva do jogo.
Apesar disso, Devil May Cry 5 é uma adaptação visualmente impressionante para o Switch 2. É verdade que há algumas limitações gráficas, como efeitos de cabelo um pouco borrados, e a jogabilidade em modo portátil pode não ser tão limpa às vezes. Porém, em nenhum momento achei que o jogo estava feio, e a taxa de quadros é bastante suave na maior parte do tempo. Isso demonstra o que é possível no console da Nintendo e reafirma que este é um dos melhores jogos de ação do mercado.
