Análise de Caves of Qud para Switch eShop

As lendas de Caves of Qud nos transportam para tempos antigos, envoltas em histórias fascinantes. Estamos falando de um jogo que começou a ser desenvolvido em 2007 pela equipe americana Freehold Games. Após 17 anos de trabalho, o jogo finalmente chegou à versão 1.0 em 2024, conquistando uma base fiel de fãs no PC. Agora, essa experiência intensa e cheia de sistemas complexos ganha vida no Nintendo Switch.

Caves of Qud se passa em um mundo pós-apocalíptico e de fantasia científica. A terra de Qud é habitada por facções com alianças e rivalidades, repleta de seres que podem ser tanto aliados quanto ameaças. A espiritualidade rica e a tecnologia avançada coexistem nesse cenário. Cada vez que você inicia uma nova partida, o jogo recalcula suas decisões, criando um ambiente único e dinâmico. O seu desafio, como um novo aventureiro, é simplesmente sobreviver em um mundo aberto extremamente vívido.

Antes de sair em sua jornada, você deve escolher entre dois genótipos: humanos mutantes e os chamados “verdadeiros kin”. Os mutantes possuem características que vão de bicos a glândulas de slime, enquanto os true kin são humanos aprimorados com cibernética, como visão noturna e isolamento dérmico. Os mutantes começam mais vulneráveis, mas têm um potencial explosivo que se revela à medida que evoluem. Já os true kin são robustos desde o início, mas acabam dependendo cada vez mais da tecnologia com o tempo.

É fácil se deixar levar pela grandeza do jogo ao ouvir sobre mutantes de três braços e ciborgues alados. Mas, ao mergulhar na experiência, você perceberá que os gráficos pixelados, que podem parecer simples à primeira vista, ganham vida com robôs e criaturas enigmáticas. A trilha sonora e os sons ambiente criam uma atmosfera épica que envolve o jogador.

Ao entrar no mundo de Qud, você encontrará uma liberdade imensa para explorar. Porém, é bom lembrar que a sobrevivência pode ser difícil. Meu primeiro “feito” no jogo foi morrer, e isso é parte da experiência. Quando aparece a mensagem “Você morreu”, é fim de jogo. Sem pontos de salvamento, sem progressão contínua: volta tudo ao início. É triste ver um personagem de nível 10 cair após horas de jogo, mas essa também é parte da narrativa.

Caves of Qud não se resume apenas a histórias regeneradas e mapas aleatórios. Há um conteúdo autoral que dá vida ao jogo, como um mapa que, apesar de ter uma topografia básica que não muda, proporciona uma sensação de progresso a cada nova tentativa. Além disso, existe uma linha de missões totalmente escrita, que leva você a explorar cavernas, mercados e vilarejos em busca de artefatos e resgates de robôs. No entanto, a luta para seguir a trama em meio a tantos perigos pode ser desafiadora.

O jogo também apresenta uma curva de dificuldade bem acentuada. Em algumas dungeons, você pode se sentir tentado a rir da situação, especialmente quando a morte parece iminente. Se você é como eu, vai se deparar com esses desafios várias vezes, até finalmente conseguir superá-los, apenas para descobrir que seu personagem agora não consegue mais falar.

Para suavizar a experiência, existem modos de jogo adicionais. O modo “Clássico” mantém as regras tradicionais, enquanto o modo “RPG” permite salvar em locais específicos, embora essas paradas sejam raras. O modo “Vagabundo” é mais amigável, já que a maioria das criaturas não atacam, e você ganha experiência por descobrir o mundo, e não apenas por combate.

Essa tensão entre o conteúdo autoral e as regras roguelike é o que faz de Caves of Qud uma experiência única. Sem as missões escritas, a descoberta de uma história seria menos emocionante, mas, por outro lado, sem as regras roguelike, o jogo perderia a chance de explorar suas mecânicas intricadas.

O mapa é vasto, os sistemas são complexos e a narrativa é envolvente, mesmo antes de considerar as adições geradas automaticamente. No entanto, a interface pode ser um desafio, pois o texto só pode ser ampliado em detrimento da área de jogo. Isso significa que uma tela maior pode fazer toda a diferença na experiência.

Os controles são bem pensados, com uma interação satisfatória ao passar os turnos. Apesar de alguns atrasos nos tempos de carregamento, a movimentação do jogo tende a ser rápida, permitindo que você continue sua aventura sem muitos percalços.

Caves of Qud conquistou um público fiel por boas razões. Seu mundo vibrante, a música envolvente e a jogabilidade rápida e estratégica tornam a experiência cativante. Embora a abordagem roguelike seja bastante desafiadora, é isso que torna cada partida especial. Essa tensão entre a liberdade de exploração e os objetivos de uma missão é o que dá vida ao jogo. Embora esteja um pouco comprimido no Switch, ele ainda oferece uma experiência que vale a pena viver.