Análise de Stray Children (eShop do Switch)
Seu pai desapareceu e um estranho “tio” aparece na sua porta, afirmando que te conhece. Assim começa Stray Children, um jogo que não perde tempo e logo te joga em uma aventura cheia de mistérios. Desenvolvido pela Onion Games, a mesma equipe por trás de Moon: Remix RPG Adventure, o jogo traz uma narrativa emocional e envolvente, mais focada em contar uma história do que em mecânicas complexas.
A trama gira em torno de um garoto com rosto de cachorro que se aventura em um mundo de fantasia através da tela de um videogame. Esse universo é, ao mesmo tempo, surreal e engraçado, mas também pode ser bem sombrio. As imagens são uma mistura de pixels encantadores, com uma paleta de cores que nos lembra os clássicos do Game Boy Advance. Essa apresentação delicada contrasta com as situações estranhas e desconfortáveis que encontramos, como orfãos em uma prisão ou um sapo paparazzo espreitando.
O jogo não se preocupa em explicar tudo de forma direta. Em vez disso, ele nos faz sentir e criar impressões vagarosas sobre o que está acontecendo. O que sabemos é que você está preso em um mundo psicodélico, cheio de crianças abandonadas. O herói dessa história foi destruído, e sua missão é reconstruí-lo. As crianças não têm figuras de autoridade claras e são frequentemente rotuladas como “más”, sofrendo punições por isso.
Você explora esse mundo de cima para baixo, em um estilo 16-bit, conversando com vários habitantes estranhos. Os inimigos que você encontra, conhecidos como “Olders”, são baseados em adultos que também estão lidando com suas próprias frustrações. Eles trazem uma carga de expectativas e sofrimento, refletindo os desafios enfrentados por crianças em busca de compreensão.
As batalhas acontecem em um formato de turnos que lembra jogos de “bullet-hell”. Para derrotar os Olders, você precisa atacar em seu turno, parando uma seta giratória em um segmento de um círculo. Embora a mecânica não seja a mais profunda, ela tem seu charme. Se preferir, você também pode tentar “conversar” com os Olders para libertá-los de suas obsessões, o que evita encontros aleatórios futuros. Essa abordagem curiosa é uma marca registrada da Onion Games.
A experiência de interagir com os Olders pode ser desafiadora, com um sistema em que você precisa escolher as opções de diálogo na ordem correta. Um erro pode fazer você perder a chance de libertá-los, o que pode ser frustrante, especialmente em batalhas contra chefes mais difíceis.
Esse sentimento de confusão é intencional e te faz sentir como uma criança perdida em um mundo emaranhado. Embora essa abordagem possa causar estranheza, ela é parte do que torna o jogo interessante. A trilha sonora, por outro lado, é um verdadeiro destaque. Ela combina perfeitamente com o visual surreal do jogo: flautas e harpsichords criam um ambiente sonoro que se encaixa perfeitamente nas situações inusitadas que você encontra.
Apesar de alguns momentos repetitivos, como diálogos não puláveis entre pontos de salvamento e chefes, Stray Children não se estende demais. Com cerca de 12 a 15 horas de jogo, você pode passar bastante tempo explorando, buscando itens escondidos e conversando com personagens. Essa desorientação pode criar uma sensação de vulnerabilidade, como se você realmente fosse uma criança perdida.
Para alguns, essa falta de clareza pode ser um desafio. Mas para quem se sente curioso e paciente com a arte e a narrativa, o jogo é uma experiência prazerosa. A jogabilidade é perfeita para o Nintendo Switch, e a arte em pixel brilha na tela menor do console.
Stray Children é um jogo que não hesita em se afirmar. Com seu início abrupto e mecânicas enigmáticas, ele não se preocupa em te guiar. Essa ousadia constrói um mundo cativante, que pode te prender se você estiver disposto a explorar. Se você não tem tempo ou paciência para enfrentar os desafios enquanto é rotulado como “uma criança má”, talvez esse jogo não seja para você. Mas se você está pronto para uma aventura surreal, Stray Children promete ser uma jornada memorável e otimista.
