Após 30 anos, é hora de redefinir a Pokédex?
Desde o lançamento de Pokémon Legends: Z-A no ano passado, uma ideia não sai da minha cabeça. Essa reflexão ficou ainda mais forte enquanto assistia às batalhas do EUIC em fevereiro e, claro, quando vi o trailer de Winds and Waves. Depois de 30 anos, será que chegou a hora de resetar o Pokédex?
Calma, não estou aqui para defender uma posição ou outra. Lembro bem do alvoroço que foi quando anunciaram que não poderíamos capturar o Pikachu em Black and White. A verdade é que a experiência de “capturá-los todos” não é mais tão mágica como era nas gerações iniciais. Uma maneira de trazer de volta essa magia poderia ser mandando o Charizard para a fazenda.
Mas vamos voltar ao começo dessa reflexão. Eu não esperava encontrar novos Pokémon em Legends: Z-A, que trazia muitos rostos conhecidos. Porém, conforme fui explorando as zonas selvagens de Lumiose, percebi uma coisa: estava montando quase a mesma equipe que venho usando nos últimos 10 anos. É um padrão bem conhecido por quem é fã de Pokémon — temos o Pokémon inicial totalmente evoluído, geralmente bem mais forte que os outros; o pássaro do início do jogo, sempre superlevelado (vamos ser sinceros, é quase sempre o Pidgeot); e algum lendário que conseguimos pegar lá no final. Os três espaços restantes vêm de um grupo de uns 10 Pokémon, dependendo do tipo que preciso após escolher meu inicial e o lendário — Jolteon, Gyarados, Dragonite, Gardevoir, Lucario, Gengar… você entende a ideia.
Essa estrutura de equipe que venho usando desde a sexta geração é eficiente, mas isso mudou a forma como jogo Pokémon. Em Legends: Z-A, os encontros selvagens se transformaram em um checklist, onde eu montava uma equipe baseada no que sabia que funcionaria, em vez da aventura e experimentação que sentia nas primeiras experiências. O mesmo aconteceu em Scarlet e Violet, onde eu acabava ignorando os 107 novos Pokémon em favor dos 393 que já conhecia. E com tantos rostos familiares que vimos no trailer de Winds and Waves, temo que isso se repita na geração X.
O cenário competitivo é um capítulo à parte, claro, dominado pela meta atual e pelas escolhas da competição. Mas até lá, as escolhas de equipe também estão ficando repetitivas. Já vi tantos Incineroars, Flutter Manes, Urshifus, Raging Bolts e Rillabooms que fica difícil competir com qualquer coisa que não sejam os velhos favoritos. É tarde demais para WinWav (como ninguém vai chamá-lo, é verdade), mas será que não está na hora de termos um jogo de Pokémon que comece do zero, com apenas novas criaturas para capturar?
Os benefícios parecem claros. Sem o peso do conhecimento prévio sobre os destaques de uma geração, cada encontro seria uma novidade, resgatando aquela sensação de aventura que todos nós sentimos ao jogar nossos primeiros jogos de Pokémon. Isso também incentivaria a experimentação, dando a todos os Pokémon a chance de brilhar enquanto descobrimos suas forças e fraquezas. E por que não adicionar um ou dois novos tipos para apimentar as coisas?
Mas é claro que essa ideia tem suas armadilhas. A familiaridade é uma das características marcantes de Pokémon, e isso se estende ao Pokédex. As pessoas querem saber o que está por vir, desejam poder capturar um Pikachu. Existe algo especial em encontrar um rosto conhecido e pensar: “Eu te conheço! Você é muito poderoso!” Se deixarmos de lado os 1.025 Pokémon do Pokédex Nacional, isso não seria mais possível. E sem seus mascotes, Pokémon ainda seria Pokémon?
Talvez a abordagem de Black & White seja o meio termo ideal. A ideia de nos dar apenas o Pokédex de Unova no jogo principal e guardar a expansão do Nacional para um prêmio pós-jogo parecia ousada 15 anos atrás (e, na verdade, hoje é o aniversário de 15 anos da geração V na Europa — feliz aniversário!). Mas será que isso nos encorajaria a levar a sério os novos Pokémon? Eu, por exemplo, nunca teria dado atenção à linha evolutiva do Axew se pudesse pegar um Dratini antes.
Agora, o que você pensa sobre isso? Está na hora de Pokémon deixar o Pokédex Nacional para trás e trazer algo totalmente novo, ou os clássicos devem permanecer?
