As aventuras de Elliot: análise de Millennium Tales (Switch 2)
A arte em HD-2D da Square Enix tem feito maravilhas pelos seus jogos. Com esse estilo, a empresa conseguiu criar novas franquias, como Triangle Strategy e Octopath Traveler, além de remakes caprichados, como a trilogia de Dragon Quest Erdrick e Live a Live. Essa apresentação encantadora consegue oferecer uma jogabilidade moderna enquanto evoca uma sensação nostálgica. Até agora, o estilo HD-2D foi utilizado apenas em jogos por turnos, mas isso mudou com The Adventures of Elliot: The Millennium Tales, que é o primeiro jogo desse estilo com combate em tempo real.
Nesse novo jogo, você assume o papel de Elliot, um órfão aventureiro. O mundo de Philabieldia está sendo invadido por tribos de bestas, mas o Reino de Huther é protegido por um feitiço mágico da Princesa de Heuria. Após descobrir a Porta do Tempo, Elliot encontra uma fada chamada Faie e juntos embarcam em uma jornada que atravessa mil anos para salvar Huther. A história pode parecer uma típica missão de “salvar o mundo”, mas se destaca pela maneira como as ações de Elliot no passado reverberam nas diferentes épocas que ele visita, acumulando consequências em seu presente, a Era da Proteção. Essa abordagem traz uma perspectiva mais pessoal à trama e há finais múltiplos, sendo o final verdadeiro especialmente marcante e emocional.
A jogabilidade é direta, com uma ação hack-and-slash que lembra a série Mana da Square Enix. Você tem acesso a sete armas diferentes, podendo trocá-las a qualquer momento. Embora o combate não seja extremamente complexo, ele compensa pela variedade. A espada é uma arma versátil, a lança oferece mais alcance, o martelo é lento, mas poderoso, e a foice em cadeia recompensa a precisão e o tempo ao atingir vários inimigos ao mesmo tempo. Elliot também conta com uma impressionante seleção de armas de longo alcance, como um bumerangue, arco e flecha e bombas. Cada arma se destaca, e o sistema de combate incentiva a defesa, com a possibilidade de bloquear e desviar. O tempo para realizar uma defesa perfeita é generoso, oferecendo uma satisfação ao conseguir refletir o dano nos inimigos.
Em vez de ganhar experiência e subir de nível, a evolução de Elliot no combate vem do uso de magicitas, que são gemas mágicas que melhoram e adicionam efeitos às suas armas. Por exemplo, a gema Reparação de Escudo restaura um pouco da resistência do escudo quando Elliot ataca com a espada, enquanto a Postura Imóvel aumenta em 45% o dano das flechas, mas impede que ele se mova enquanto carrega o ataque. Esse sistema de equipamentos é simples, mas muito interessante, permitindo que você personalize o estilo de combate de Elliot.
Faie também tem suas próprias habilidades. Embora normalmente flutue ao lado de Elliot, ela pode se acender e encantar os pés dele com vento, permitindo que ele corra mais rápido. Essas habilidades são úteis tanto para explorar o mundo quanto para o combate. Devido à perspectiva fixa da câmera, você pode controlar Faie diretamente se precisar, o que dá a ela uma certa autonomia e a torna uma parceira ativa na aventura.
O mundo aberto de Philabieldia é pequeno, mas isso acaba sendo uma vantagem. Cada parte do mapa está repleta de masmorras e cavernas para explorar, com quebra-cabeças que vão desde mover espelhos para refletir raios de luz até alterar os níveis da água. Ao final de cada masmorra, você geralmente encontra recompensas, como melhorias de saúde ou novas habilidades para Faie, incentivando sempre a exploração.
Embora o jogo ofereça um ambiente visualmente impressionante, com uma arte em HD-2D deslumbrante — desde poças de lava até florestas exuberantes —, a variedade de inimigos deixa a desejar. Os mesmos inimigos, como automatons e grifos, aparecem repetidamente, o que pode se tornar cansativo após algumas horas de jogo.
Existem diversas missões secundárias, muitas das quais são simples, mas possuem histórias que ajudam a construir a lore de Philabieldia. Algumas delas envolvem Elliot em quests que cruzam diferentes épocas, como encontrar um item perdido em um passado remoto. Essas missões valem a pena, pois oferecem recompensas úteis como acessórios e melhorias para armas.
Infelizmente, o desempenho no Switch 2 não é dos melhores. Os tempos de carregamento são longos, e até abrir o mapa leva um tempinho. Quando você tenta mudar entre as eras no menu, o lag é bem perceptível, o que pode ser bem irritante. Mesmo com esses problemas, The Adventures of Elliot se encaixa bem no Switch 2. A jogabilidade flui bem tanto no modo dock quanto no modo portátil. Se você conseguir ignorar os tempos de carregamento e as travadas, há muito o que explorar e aproveitar em Philabieldia com todas as suas eras fascinantes.
