Eu jogo este clássico do SNES todo Natal como tradição pessoal

Era Natal de 1992. O famoso Mr. Blobby era a sensação da televisão (pelo menos na opinião dos adultos), e Whitney Houston estava cantando uma balada sobre o Kevin Costner, que parecia um cardigan animado (sinceramente, me sinto como se estivesse tendo um flashback). E eu? Bom, eu estava me divertindo bastante, na verdade. Porque o Papai Noel tinha me feito uma baita surpresa.

Deixa eu esclarecer duas coisas. Primeiro, o Papai Noel não fez nenhuma bagunça na minha sala, não é isso que estou dizendo. E segundo, eu tinha apenas 14 anos em 1992, então não deveria estar pedindo para meus pais, que eram fãs do Mr. Blobby, que enviassem uma carta bem ousada para o Polo Norte pedindo — ou melhor, exigindo — um Super Nintendo com uma cópia de Street Fighter 2. Quando esse console incrível chegou na minha casa no dia 25 de dezembro de 1992, eu experimentei, pela primeira vez, gráficos e jogabilidade que se igualavam aos dos fliperamas. Antes disso, eu passava todo o meu dinheiro, que eu conseguia “roubar” do meu pai, jogando The World Warrior, e me viciando nas habilidades do personagem E. Honda, que tinha um peitoral brilhante. (Não se preocupe, nunca paguei de volta.)

Essa foi a minha primeira consola da Nintendo! Na verdade, meu primeiro console de qualquer tipo que era realmente meu. E por isso, Street Fighter 2 se tornou um jogo muito especial para mim. Ele não só me fez perceber que a experiência em casa poderia ser tão empolgante quanto a dos fliperamas, mas também era super divertido de jogar e admirar. É difícil explicar hoje, em meio a tantos jogos profundos e significativos, que Street Fighter 2 me mostrou que os videogames poderiam ser algo mais do que apenas uma diversão passageira.

Cresci em uma época em que a internet ainda não existia (e talvez até antes de Jesus, mas essa é outra história de Natal). Na Irlanda rural dos anos 80 e 90, era fácil sentir que estávamos desconectados em termos de tecnologia. Havia muito esterco de vaca por lá, mas pouco do que era considerado “cool” nas grandes cidades.

Street Fighter 2, com seus gráficos perfeitos de arcade, sons e músicas, era o assunto do momento. E agora eu fazia parte dessa conversa, mesmo que fosse apenas comigo mesmo. Para um garoto que ainda não tinha feito amigos gamers e morava em um lugar remoto, sentir que fazia parte daquela onda de empolgação era algo enorme. Naquela época, não dava para simplesmente mandar uma mensagem direta para alguém, as conexões eram diferentes.

Desde então, sou um verdadeiro fã — e a cada Natal, ainda ligo o meu velho Super Nintendo (não o original, infelizmente) para jogar algumas partidas do magnífico modo arcade de Street Fighter 2. Para mim, o jogo nunca envelheceu; ele continua tão bonito quanto antes, com seus lutadores detalhados, ambientes envolventes e animações de fundo encantadoras. E se alguém reclamar da taxa de quadros, pode ter certeza de que será banido da minha festa de Natal.

Esse jogo se tornou uma tradição para mim, mergulhando-me em uma nostalgia deliciosa e me fazendo lembrar de tempos mais inocentes. Mais do que isso, foi um momento em que passei a ver os jogos não apenas como uma forma de diversão, mas como uma maneira de me conectar e me sentir próximo dos outros. E é isso que ainda faço hoje.

Agora, se me dão licença, vou mostrar para meus filhos como meu rosto fica vermelho e tremulo quando não consigo fazer o golpe do Vega. Feliz Natal! E você, tem algum jogo que joga todo Natal por tradição ou por outro motivo?