LumenTale: memórias de Trey na eShop do Switch

Às vezes, a noite cai e, enquanto estou aconchegado na cama com meu Nintendo Switch a poucos centímetros do rosto, uma onda de nostalgia me atinge. Lembro das noites passadas jogando Pokémon Black e White, dos finais de semana na frente da TV jogando Xenoblade no Wii e das horas ajudando Tidus a explorar Spira. É um momento mágico, mas logo sou puxado de volta à realidade por menus lentos e controles complicados, ou por mais meia hora perdida vagando por diferentes construções. É assim que sinto LumenTale: um jogo que traz uma dose intensa de nostalgia, mas que também esbarra em pequenos problemas que atrapalham a experiência.

O que é LumenTale: Memories of Trey?

Desenvolvido pela Beehive Studios e publicado pela Team 17, LumenTale é uma espécie de homenagem aos jogos de Pokémon do Nintendo DS. Mas ele vai além: é um RPG que combina mecânicas inteligentes e conveniências modernas para atualizar essa experiência. Com quase 150 Animon para capturar e um mundo lindo em HD-2D para explorar, a inspiração é clara. No entanto, o jogo consegue se destacar ao focar em um protagonista com nome, Trey, ao invés de um personagem genérico.

A história começa de forma intrigante: Trey acorda sem memórias e decide se tornar um Lumen, que são os treinadores de Animon nesse universo, enquanto busca descobrir quem realmente é. O jogador precisa capturar Animon, montar uma equipe e explorar para revelar a verdade sobre o passado de Trey.

Detalhes que fazem a diferença

Embora a premissa pareça familiar, LumenTale traz uma atenção impressionante aos detalhes e uma construção de mundo sutil que traz profundidade e um tom mais sombrio do que se poderia imaginar. Ter um personagem real no centro do jogo, com diálogos interessantes e que enfrenta decisões importantes, é refrescante. Isso me lembrou de personagens bem desenvolvidos, como Tidus em Final Fantasy X, e suas jornadas de autodescoberta, mesmo que em uma escala menor.

A história é recheada de personagens secundários cativantes. Ales se destaca como um excelente companheiro de aventura, enquanto Mina e Bon proporcionam momentos emocionantes, e Pitan rapidamente se torna um favorito.

A jogabilidade e os desafios

Em meio à inspiração de Pokémon, com Animon substituindo Pokémon e Bilia no lugar das Poké Balls, LumenTale mantém uma forte identidade própria, com boa escrita e uma mensagem anti-AI no fundo. As escolhas que você faz nas situações difíceis moldam Trey e o final da história, então vale a pena aproveitar os dilemas e os personagens que a Beehive criou.

Para chegar ao final, você vai batalhar bastante. O sistema de batalha lembra o estilo de Octopath Traveler, mas com um toque único. Cada Animon tem um tipo, um tipo oculto, até cinco espaços para movimentos e um sistema semelhante ao IV dos Pokémon, permitindo que você distribua os pontos livremente. Uma diferença notável é que, ao invés de usar PP para movimentos individuais, sua equipe compartilha SP, que se esgota conforme os ataques são feitos.

Por exemplo, se você começa com 8 SP, um ataque simples como “Pound” pode usar apenas 1 SP, enquanto um ataque que atinge todos os oponentes, como “Infernal Wave”, pode custar 4 SP. A cada batalha, você começa sem saber as fraquezas dos oponentes e pode optar por atacar ou escanear o inimigo. Se você acertar ataques super efetivos, ganha um movimento gratuito, independentemente do SP. Essa dinâmica é envolvente e me faz pensar em como desbravar as fraquezas elementares é satisfatório.

Frustrações durante a captura

Por outro lado, a captura dos Animon pode ser frustrante por causa de dois sistemas distintos. No mundo aberto, você pode mirar seu Bilia em um Animon selvagem e, em seguida, participar de um mini jogo de QTE, onde precisa pressionar os botões na hora certa. Quanto mais forte for o Animon, menor será o círculo que você deve acertar. Para mim, essa mecânica é um pouco cansativa, especialmente com a pressão de outros Animon atacando ao mesmo tempo.

Outra dificuldade é a necessidade de segurar o botão ‘R’ e usar o analógico direito para mirar, o que pode tornar a captura confusa, principalmente em momentos cruciais. Além disso, o sistema de crafting, que permite criar Bilia, poções e outros itens, parece desnecessário quando você pode simplesmente comprar o que precisa.

Gráficos e performance

Visualmente, LumenTale tem muito a seu favor. Os designs dos Animon são atraentes e a animação durante as batalhas lembra os sprites de Pokémon Black e White. O mundo é colorido e cheio de detalhes, e cada região tem sua própria personalidade. Há muito tempo eu sonhava com um jogo de Pokémon em um estilo semelhante a esse.

Porém, nem tudo são flores. O jogo enfrenta problemas de desempenho, como travamentos e menus complicados, o que pode ser frustrante. A velocidade das batalhas também deixa a desejar, fazendo com que a experiência seja um pouco mais lenta do que eu gostaria.

LumenTale tem muitos elementos positivos e traz uma nova perspectiva para o gênero, mas é inegável que algumas falhas se destacam, especialmente quando comparadas ao que já conhecemos nos jogos de Pokémon.