Metroid Prime 4 e a pressão de ser ‘bom o suficiente’

Após o lançamento de Metroid Prime 4, o clima nas redes sociais foi bem tenso. Muitas críticas surgiram em vídeos no YouTube, com análises bem ácidas e muitos dedos apontados para os problemas no desenvolvimento do jogo. A sensação era de que eu estava jogando um título completamente diferente daquele que estava sendo discutido online. Isso me fez questionar se realmente estava me divertindo.

Não quero desmerecer as críticas, pois há pontos que realmente merecem atenção. No entanto, muitas vezes, a conversa parecia mais um ataque do que uma análise ponderada. O que mais me incomodou foi a sensação de que o que o jogo faz de bom não estava sendo valorizado. Em um primeiro momento, fiquei surpreso com a reação negativa, pois achei que Prime 4 entregava exatamente o que se espera de um jogo da série Metroid Prime: um espetáculo técnico, controles incríveis, um design de mundo visualmente deslumbrante, além de exploração, escaneamento e muitos itens escondidos. As batalhas contra os chefes estão entre as melhores que a série já apresentou.

Relembrando a série com Metroid Prime Remastered, percebi que Prime 4 parece se inspirar nos elementos bem-sucedidos desse título, mas com biomas mais lineares, que tornam o jogo mais acessível para novos jogadores. Mesmo assim, foi difícil parar de jogar, mais do que em qualquer outro lançamento importante desta geração de consoles. Até mesmo Sol Valley, o mundo desértico que muitos criticam como vazio, me agradou. As pessoas não entendem muito bem a proposta desse espaço, que serve como um respiro divertido enquanto pilotamos a veloz Vi-O-La entre momentos tensos de exploração em masmorras.

Por outro lado, Prime 4 tem muitos problemas em sua narrativa. Os pontos fortes tradicionais de Metroid — isolamento, atmosfera e descoberta — estão lá, mas a história centrada em personagens deixa a desejar. As tentativas de aprofundar a narrativa, muitas vezes, soaram estranhas e tiraram minha imersão. Isso ficou mais evidente com a presença de NPCs cujas falas não combinavam com o clima de um jogo Metroid, especialmente após décadas de aventuras solitárias. É compreensível a vontade de dar um foco maior aos personagens, principalmente em um jogo que se apresenta como um ponto de entrada na série. Porém, a execução desse conceito, junto com sequências que lembram mais um shooter convencional, soou como uma grande mudança em relação ao que define Metroid.

Embora eu não ache que Prime 4 merecesse a avalanche de críticas que recebeu, me senti um pouco dividido ao ver os créditos finais. Tive minhas próprias dúvidas sobre o jogo, mas era difícil não levar em conta que a maioria das conversas já o considerava uma decepção. Concluí que o jogo foi avaliado tanto pelo que realmente é quanto pelo que deveria representar como o tão aguardado sucessor de uma trilogia quase mítica. Após anos de expectativa, a barra estava altíssima. Prime 4 precisava justificar seu retorno, reafirmar o legado da série e recompensar a paciência dos fãs com algo inovador. Qualquer coisa abaixo de um triunfo definidor da série seria vista como uma decepção.

No entanto, se olharmos além da hype e da crítica, é um jogo que acerta muito mais do que erra. Ele me prendeu de tal maneira que continuei jogando mesmo quando deveria ter parado, e eu realmente gostei da experiência. Como será lembrado no futuro, só o tempo dirá, mas não ficarei surpreso se, com o passar dos anos, as percepções se tornarem mais generosas do que foram no momento do lançamento.