Por definição, Pokémon TCG deixou de ser um hobby

Recentemente, eu abri um pacote de cartas de Pokémon e tirei a super rara carta Charizard, conhecida como ‘Secret Illustration Rare’ (SIR). Foi uma verdadeira emoção! Tem até um vídeo onde eu grito: “O Charizard de 600 dólares!” enquanto meus amigos vibravam ao meu redor. Mas, além da alegria, surgiu um problema: gastei mais de 600 dólares na busca por essa carta, mesmo que não tenha comprado tantos pacotes assim. E o pior: mesmo assim, estou em vantagem.

Como isso é possível? Normalmente, as cartas de troca têm seu valor nas alturas no dia do lançamento, mas caem drasticamente em questão de dias, senão horas. Porém, ultimamente, os preços das cartas de Pokémon parecem ter encontrado uma nova dinâmica. Por exemplo, meses depois do lançamento, essa carta Charizard está avaliada em cerca de 900 dólares. Isso é 300 dólares a mais do que quando eu a tirei. E se eu decidir enviar a carta para avaliação, ela pode valer quase 2.500 dólares em condição ‘gem mint’.

Esse cenário levanta uma questão interessante: não é saudável que cartas como essa Charizard tenham valores tão altos. Isso tem consequências sérias para o mercado. Hoje em dia, é quase impossível encontrar cartas nas lojas. A situação está tão complicada que adultos estão brigando nas prateleiras, enquanto robôs compram tudo online antes que você tenha chance. Surgiram indústrias inteiras voltadas para abrir pacotes, reembalagens misteriosas e até streamers famosos (ou infames) de cartas.

O que isso significa para o mercado? O Trading Card Game (TCG) de Pokémon deixou de ser apenas um hobby divertido. Agora, é uma parte crítica da economia global. E isso não é só uma impressão. Nos últimos anos, o mercado de cartas de troca cresceu exponencialmente. Entre 2004 e 2020, os valores das cartas de Pokémon aumentaram 282%, com a maior parte desse crescimento ocorrendo no final desse período, durante a pandemia. Mais recentemente, um índice apontou um aumento de impressionantes 1.350% entre 2020 e hoje.

Para você ter uma ideia, em 2023, a carta mais cara que podia ser encontrada em um pacote estava sendo revendida por cerca de 115 dólares. Agora, para 2025, as cartas mais procuradas estão na faixa de centenas de dólares, e a mais cara, a Umbreon SIR, já ultrapassa mil dólares. Isso mostra que as cartas não só estão valorizando, como o próprio mercado se expandiu, com novas cartas valiosas surgindo a cada ano.

Conversando com jovens colecionadores, como Oscar, um fã de 12 anos, fica claro que a situação está se tornando insustentável. Ele compartilha que, como uma pessoa autista, o hobby de colecionar Pokémon o ajudou a fazer amigos e ganhar confiança. No entanto, ele observa que a luta por cartas nas lojas está criando um ambiente hostil para as crianças. Isso nos faz refletir: será que ainda podemos considerar o TCG de Pokémon um simples hobby?

Com o aumento dos preços, a dinâmica do mercado mudou. As cartas não são mais apenas uma atividade de lazer; elas exigem dedicação quase profissional para serem acompanhadas. E essa não é uma realidade só do Pokémon. Outros colecionáveis, como cartas de esportes e itens de memorabilia, também estão em alta. Isso tudo acontece em um momento de incertezas econômicas, onde muitos veem os colecionáveis como uma forma de investimento seguro.

Diante desse cenário, muitos se perguntam: o que fazer com cartas valiosas como o meu Charizard? Vender para lucrar ou guardar como uma relíquia? Essa é uma dúvida comum entre os colecionadores. O que podemos afirmar é que, embora o amor por Pokémon continue, o modo como interagimos com esse universo mudou bastante.