Reanimal Review (Switch 2) | Vida Nintendo

Se você é fã de jogos de terror e tem um Nintendo Switch 2, não pode deixar de experimentar Reanimal. Desde o primeiro momento, o jogo te arrasta para um mundo sombrio e pesadelo, mostrando que a desenvolvedora Tarsier Studios aprendeu bastante com a série Little Nightmares e está elevando suas habilidades de criar horror a um novo patamar. Essa nova aventura é uma evolução ousada do estilo de puzzle e plataforma cinematográfico que a Tarsier ajudou a definir, agora se passando em espaços 3D maiores, com mecânicas de combate e exploração mais variadas e cenários de tirar o fôlego.

A atmosfera do jogo é impecável, com um design de som que realmente se destaca e uma iluminação deslumbrante que cria um clima perfeito para o terror. Reanimal faz uma transição do macabro estilo à la Tim Burton dos jogos anteriores da Tarsier para algo que, no final, se aproxima do horror intenso do filme de guerra Caminho e a Luz, de Elem Klimov, misturado com elementos sobrenaturais. Os momentos de adrenalina são de explodir os sentidos, enquanto as partes mais calmas transbordam de tensão e medo do desconhecido.

Claro, nem tudo são flores. Há alguns pontos que podem causar frustração, como certas batalhas mais movimentadas que podem desorientar um pouco ou tempos de carregamento que interrompem a fluidez do jogo. Mas, para ser sincero, essas pequenas questões não diminuem em nada o impacto do mundo e da atmosfera do jogo.

A História e a Jogabilidade

Na narrativa, você controla um irmão e uma irmã tentando encontrar seus amigos desaparecidos em um mundo infernal. A trama, embora simples, se alinha bem com o foco do jogo em sobrevivência cooperativa. O trabalho de dublagem é bem feito e dá um toque especial a algumas cenas, ajudando a entender melhor a situação em que os personagens se encontram, mesmo que essas falas não sejam tão frequentes.

O legal é que Reanimal pode ser jogado solo com um companheiro controlado pela IA, mas também dá a opção de jogar em modo cooperativo, tanto local quanto online, através do GameShare. O jogo frequentemente exige que os protagonistas ajam em conjunto, seja para apertar botões ao mesmo tempo ou coordenar ações, e ambos os personagens têm as mesmas habilidades, sem vantagens mecânicas para um ou outro.

A Experiência Solo

Minha experiência foi principalmente jogando sozinho, e a IA geralmente acompanha bem, respondendo de forma confiável aos comandos e ajudando nas sequências mais desafiadoras, especialmente durante perseguições e combates. Existem momentos raros em que o comportamento da IA pode ser um pouco estranho, mas geralmente isso acontece quando as condições do quebra-cabeça ainda não estão completas.

Comparando com os protagonistas de Little Nightmares, que muitas vezes parecem quase bonecos, os personagens de Reanimal são maiores e mais ágeis. O jogo mantém a essência de escapar de um espaço hostil, mas agora em ambientes que exigem mais exploração e revisitação para encontrar as ferramentas necessárias para superar obstáculos.

Mecânicas e Combate

Reanimal também traz um sistema leve de combate corpo a corpo, principalmente contra inimigos de tamanho similar. A IA do companheiro imita as ações do jogador, atacando junto ou iluminando a escuridão com uma fonte de luz. A paleta de cores e a iluminação do jogo são realmente impressionantes, mas não hesitam em te jogar em trevas profundas. Quando você se aproxima de objetos interativos, como alavancas ou passagens secretas, um pequeno indicador branco aparece, mostrando que você pode interagir com eles. Isso é um detalhe bem pensado, que ajuda sem tirar a imersão.

Entretanto, pode ser fácil passar batido por itens menores, como uma chave ou uma ferramenta necessária para um quebra-cabeça, especialmente em ambientes bagunçados. Esses objetos têm um contorno branco discreto quando você chega perto, mas localizá-los pode exigir uma olhada mais atenta.

O jogo também esconde colecionáveis, como máscaras que os personagens podem usar, geralmente em quartos secretos que são fáceis de ignorar. Além disso, o mundo sombrio de Reanimal está repleto de panfletos colados nas paredes, que desbloqueiam artes conceituais e incentivam a exploração.

Sons e Atmosfera

O design de áudio é outro ponto forte, especialmente se jogado com fones de ouvido. Sons ominosos, barulhos de máquinas, tábuas rangendo, vento uivante e alarmes de carro criam um ambiente de tensão que aumenta conforme você é perseguido por criaturas horrendas. Ao contrário de Little Nightmares II, onde algumas situações se tornavam frustrantes devido à necessidade de tentativas repetidas, Reanimal faz um bom trabalho em minimizar essas frustrações. Há algumas situações em que a repetição é inevitável, mas, de modo geral, o fluxo do jogo é mais suave.

Você pode terminar Reanimal em cerca de quatro a cinco horas, sem enrolação. Embora o primeiro ato lembre um pouco Little Nightmares, tanto no design do antagonista quanto nos quebra-cabeças ambientais, o jogo se destaca visual e narrativamente à medida que avança, com uma jogabilidade mais variada e ambiciosa.

O Grande Final

O ato final do jogo culmina em um espetáculo emocionante, que deixa várias camadas de lore para os jogadores mais dedicados explorarem. Quando os créditos sobem, tudo que o jogo construiu se conecta de uma maneira que parece ser muito mais do que a soma das partes. Essa é, sem dúvida, a melhor obra da Tarsier até agora, mostrando uma evolução confiante na sua visão criativa.