RPG do SNES encontra tradição celta em ‘Forge Of The Fae’

Nos últimos anos, a gente tem visto uma onda de jogos indie com gráficos em pixel que remetem aos clássicos dos RPGs, como Chrono Trigger, Final Fantasy e EarthBound. Esses jogos costumam chamar atenção com suas cores vibrantes e designs caprichados, mas muitas vezes falham em capturar a essência do que tornou esses clássicos tão especiais. Em vez de trazer algo original, acabam repetindo fórmulas ou se limitando a uma cópia rasa. Porém, Forge of the Fae, da desenvolvedora independente Datadyne, parece estar numa direção diferente.

O jogo traz referências a esses grandes títulos do passado, mas também mergulha na rica mitologia celta, criando um mundo vibrante, repleto de colinas verdes, vilarejos aconchegantes e até toques de steampunk. Você vai encontrar desde Glens e pedras mágicas até flautas e violinos irlandeses na trilha sonora. A atmosfera é tão envolvente que, mesmo nas áreas mais sombrias, como armazéns cheios de personagens suspeitos ou na cidade de Taliesin com suas ruas de paralelepípedos, é possível sentir um ar de magia e aconchego.

Explorar esse mundo é uma delícia. Os tesouros estão escondidos atrás de árvores e há uma série de quebra-cabeças que exigem que você salte entre plataformas e navegue por telas para conseguir itens úteis. Nos primeiros momentos do jogo, já dá para se perder em masmorras e cavernas que mantêm a experiência fresca com encontros variados e layout diferente a cada nova exploração.

Fiora, a protagonista, é uma engenheira talentosa que usa cristais mágicos para impulsionar suas invenções. Ela até criou uma fada mecânica que acompanha o grupo e ajuda nas soluções de quebra-cabeças. Embora não seja muito sociável, ela tem alguns amigos leais. Durante a demonstração do jogo, conhecemos esses personagens, cada um com suas peculiaridades. Macklin, por exemplo, é um jovem mineiro otimista, enquanto Ceili, a dona de uma padaria, é cheia de energia e tem um temperamento forte — a minha favorita até agora, com suas animações hilárias.

Os personagens podem parecer um pouco estereotipados até agora, mas ainda não conhecemos suas histórias a fundo; isso deve ser explorado mais à medida que o jogo avança. O sistema de combate é tradicional, mas com algumas novidades interessantes. Fiora se destaca em preparar armadilhas, enquanto Roark, o pai da turma, é uma força defensiva que pode absorver danos.

Uma das adições mais intrigantes é o sistema de Pontos de Adrenalina (AP), que permite que cada personagem use suas habilidades especiais. Ao receber dano, você acumula esses pontos, que podem aumentar o poder de ataque em combate. Por exemplo, Macklin pode causar um efeito que paralisa o inimigo por um turno, e com três pontos, ele pode até empurrá-lo para longe, garantindo um atordoamento.

Além disso, os personagens têm elementos próprios e, ao equipar cristais, podem acessar feitiços que se combinam para criar ataques poderosos. A variedade de habilidades parece infinita, especialmente quando consideramos como elas podem interagir entre si.

Outro detalhe legal é a mudança do ciclo dia-noite, que impacta tanto a exploração quanto o combate. Durante o dia, os inimigos são menos fortes e você recupera energia, enquanto à noite, as coisas ficam mais difíceis e a regeneração de energia é cortada. Essa dinâmica faz você pensar estrategicamente sobre quando lutar ou fugir.

Ainda há ajustes a serem feitos, especialmente em relação à regeneração de energia, que parece um pouco severa para os custos das habilidades. Mas, com a data de lançamento marcada para 2027, há tempo de sobra para a Datadyne polir esses detalhes.

Com um pouco mais de personalidade e exploração da rica cultura celta, Forge of the Fae pode se destacar no universo dos jogos. A expectativa é grande e mal podemos esperar para ver como essa história se desenrola!