Super Nintendo: como uma empresa japonesa trouxe diversão ao mundo

Keza MacDonald promete algo interessante em seu livro Super Nintendo: Como Uma Empresa Japonesa Ajudou o Mundo a Se Divertir. Ao longo de doze capítulos, ela garante que você vai descobrir coisas que não sabia sobre a Nintendo. E, após 250 páginas, posso afirmar que essa promessa é cumprida. O livro narra a história da gigante dos games que todos nós conhecemos e amamos, explorando também como jogamos e nos divertimos.

MacDonald, editora de jogos do The Guardian e ex-editora-chefe da Kotaku UK, reuniu entrevistas com quase todos os criativos da Nintendo que você pode imaginar — e até aqueles que você não conhece. Ela revela como algumas das séries mais icônicas da indústria surgiram e reflete sobre a importância delas na cultura como um todo. O texto é informativo, leve e transborda a paixão pela Nintendo, capaz de conquistar até os críticos mais ferrenhos.

O livro não segue uma linha do tempo rígida. Ele começa com a fabricação de brinquedos nas décadas de 60 e 70 e termina com o desenvolvimento de Splatoon. Cada capítulo, focado em um jogo, serve como ponto de partida para explorar algo maior sobre a empresa. Por exemplo, um capítulo sobre Donkey Kong mergulha nos primeiros processos de design de um artista pouco conhecido, Shigeru Miyamoto. A seção sobre Metroid discute a representação de gênero nos jogos da Nintendo e na indústria em geral. Em Animal Crossing, vemos como a Nintendo insiste em suas ideias até que o público as acolha.

Os sucessos como Wii Sports aparecem lado a lado com momentos mais inusitados, como o LABO. O livro mostra a Nintendo não como uma empresa desconectada de seus concorrentes, mas como uma que está sempre em busca do próximo passo — mesmo que isso signifique criar um piano de papelão.

MacDonald faz um bom trabalho ao equilibrar detalhes minuciosos do desenvolvimento dos jogos com a visão mais ampla da indústria. É fácil encontrar análises profundas sobre títulos específicos, mas Super Nintendo se destaca ao mostrar as toques pessoais que fazem a mágica acontecer.

Um dos capítulos mais tocantes é sobre Kirby, que também serve para homenagear Satoru Iwata, ex-presidente da Nintendo. A autora combina relatos de Miyamoto, Itoi e outros que estavam próximos a Iwata, equilibrando suas contribuições comerciais e pessoais. É bonito ver que o capítulo termina com memórias de jantares e doces compartilhados entre amigos, em vez de números de vendas impressionantes.

O livro é recheado de entrevistas e insights valiosos, muitos deles coletados diretamente pela autora. MacDonald traz à tona histórias de Miyamoto, Aonuma, Tezuka e outros, criando uma narrativa coesa que faz você sentir como se estivesse espiando por trás da cortina mágica dos desenvolvedores. Há muitos detalhes interessantes sobre os bastidores, mas não quero estragar as surpresas.

Por exemplo, Shinya Takahashi, que trabalhou em muitos projetos, compartilha suas inseguranças antes do lançamento do Switch. Ele conta que não estava completamente convencido do design até que experimentou mover um protótipo do modo docked para o modo handheld.

As histórias clássicas sobre a inspiração de Miyamoto para Zelda, que surgiram de suas aventuras na floresta durante a infância, se misturam com detalhes menos conhecidos, como Koizumi confessando que o foco em água em Super Mario Sunshine veio das memórias das férias de verão que passou à beira do mar. É provável que você tenha ouvido algumas dessas histórias antes, mas a conexão que o livro faz com a trajetória da empresa é única e cativante.

A mensagem principal que o livro transmite é clara: a sensação de diversão que a Nintendo proporciona e nosso desejo de brincar sempre serão suas características mais atraentes.