The Drifter – análise da edição Nintendo Switch 2

A era das aventuras gráficas pode não ter sido apenas nos anos 90, com os clássicos da LucasArts e Sierra, como Monkey Island e Gabriel Knight. Na verdade, pode ser que esse momento mágico esteja acontecendo agora, com um ressurgimento de jogos incríveis ao longo da última década. Um exemplo disso é o novo lançamento para o Switch 2, que também roda no Switch 1, chamado The Drifter, desenvolvido pelo estúdio indie australiano Powerhoof. O jogo se destaca entre os melhores do gênero.

Os gráficos pixelados de The Drifter podem te transportar direto para os anos 90, enquanto o protagonista, um anti-herói cheio de atitude, traz à mente a vibe de clássicos como Full Throttle. Mas não se engane: a trama aqui é bem mais crua e direta, longe de ser uma aventura suave como aquelas que Spielberg apresentava. Aqui, a violência e o humor ácido estão sempre à espreita.

Você assume o papel de Mick Carter, um australiano que vive à margem da sociedade. Ele está voltando para sua cidade natal para o funeral da mãe e, ao se deparar com um tiroteio, acaba se envolvendo em uma sequência de assassinatos e desaparecimentos. É uma jornada repleta de reviravoltas e surpresas que promete prender a atenção.

Uma abordagem única na narrativa

O jogo começa com um tom pesado, mas logo se aventura por elementos de ficção científica surreal. Essa mistura permite um mecanismo que justifica falhas e tentativas repetidas, algo que pode ser frustrante em muitos jogos desse tipo. Enquanto alguns jogos usam o humor para suavizar a repetição, como na série Monkey Island ou em Lost in Play, The Drifter mantém uma abordagem mais séria, o que contribui para a imersão na história — pelo menos nas primeiras tentativas.

O jogo também apresenta momentos de tensão cronometrados, um recurso que não é muito comum em aventuras gráficas. Para isso, os controles são super acessíveis. Você pode usar o modo mouse, que é bem funcional, ou optar pelo controle. O personagem se movimenta com o analógico esquerdo, enquanto o direito mostra uma elipse com pontos que indicam onde estão os elementos interativos. É tudo bem fluido, sem a frustração da caça aos pixels.

Um elenco cativante

A história é recheada de personagens memoráveis, especialmente os outros “drifters” — pessoas em situação de rua que desempenham papéis importantes na trama. Mick, que parece estar nessa situação por escolha própria, desenvolve conexões genuínas com esses amigos. Sua habilidade de transitar entre a vida nas ruas e o conforto da casa da irmã mostra um protagonista carismático, mas que carrega suas próprias falhas e arrependimentos.

Temas pesados com um toque de humor

The Drifter não tem medo de abordar temas pesados, apresentando violência e gore de forma impactante, mas sempre mantendo um senso de humor. As tentativas de Mick de lidar com a tecnologia trazem momentos divertidos, e as animações dos personagens são bem feitas, com toques de humor negro. O estilo artístico é uma combinação de grimório e vibrante, com cenários cheios de detalhes que tornam a experiência visualmente envolvente.

Desafios e puzzles intrigantes

Os puzzles são criativos e não faltam desafios, com algumas situações que exigem manipulação de NPCs e observação cuidadosa. Um dos momentos mais marcantes envolve distrair um recepcionista em um escritório de jornal — uma tarefa que se revela bastante astuta. Apesar de o jogo evitar a lógica dos sonhos, mantendo os desafios ancorados na realidade, a estrutura dos puzzles é um tanto linear, o que pode levar a frustrações se você ficar preso.

Uma experiência envolvente

A dublagem divertida e, por vezes, cartunesca, traz vida aos personagens, tornando-os tão distintos nas falas quanto nas aparências. O som contribui para a ambientação, e a música, em sua maioria, é atmosférica, criando uma tensão adequada durante os momentos mais sombrios da narrativa.

The Drifter pode evocar os clássicos point-and-click com seus gráficos pixelados, mas suas mecânicas de controle modernas e interface simplificada o colocam claramente no presente. Com uma narrativa voltada para um público mais maduro e um humor sempre presente, o jogo traz à vida uma trama que mistura o grotesco com a diversão, enquanto os cenários e animações mantêm a experiência fresca do começo ao fim. É mais uma prova de que estamos vivendo uma verdadeira era de ouro das aventuras gráficas.