Análise do remake de Fatal Frame II: Crimson Butterfly para Switch 2

Os jogos de terror de sobrevivência, como Resident Evil e Silent Hill, costumam ser os mais conhecidos do gênero. No entanto, franquias menos famosas, como Fatal Frame, têm oferecido experiências aterrorizantes incríveis para quem está disposto a explorar novos caminhos. Fatal Frame começou sua jornada no PlayStation 2 e, após mais de uma década sem um lançamento novo (surpreendentemente, no Wii U!), a Koei Tecmo decidiu experimentar formas de trazer os títulos antigos para as plataformas modernas. O mais recente deles é Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake, uma reimaginação do jogo mais popular da série, que se alinha melhor aos padrões contemporâneos de terror de sobrevivência. Embora não seja perfeito, há muito o que amar nesta versão, que, sem dúvida, é uma melhoria em relação ao original.

A história de Fatal Frame II se passa na sinistra Vila Minakami, um lugar em ruínas, repleto de espíritos inquietos. Tudo isso se deve a um trágico passado ligado a um ritual oculto envolvendo gêmeos. O resultado? A vila desapareceu e só aparece para quem se perde na floresta. As protagonistas são as irmãs gêmeas Mio e Mayu Amakura, e você passará a maior parte do jogo tentando encontrar Mayu pelas ruínas assombradas. Enquanto explora a vila, você encontrará diários e relatórios de outras vítimas e moradores antigos, que vão revelando aos poucos a história e a cultura de Minakami, além do que levou à sua queda. Isso enriquece o cenário, tornando-o mais do que apenas uma casa assombrada cercada por árvores.

Embora as irmãs não sejam as protagonistas mais cativantes — Mayu, em particular, parece mais uma peça de enredo do que uma personagem sólida —, ainda existe profundidade suficiente nas duas para que você se preocupe com o destino delas e se envolva na luta desesperada pela sobrevivência.

A Jogabilidade Clássica de Terror

A jogabilidade segue uma estrutura tradicional de terror de sobrevivência, onde você navega por ambientes labirínticos e semiabertos, cheios de quebra-cabeças, colecionáveis e inimigos. Os objetivos da história geralmente exigem que você explore a área atual, incentivando o retorno a lugares já visitados. O bom design dos ambientes e as dicas no mapa ajudam você a saber o que fazer a seguir. O retrocesso é uma parte importante da experiência, e os desenvolvedores conseguiram torná-lo recompensador, oferecendo uma variedade de itens úteis e encontros emocionantes com fantasmas para que você não se sinta apenas correndo em círculos.

Um elemento que intensifica a tensão é a nova câmera, que substitui os ângulos fixos por um sistema de visão sobre o ombro, semelhante ao de Dead Space e Resident Evil 4. Isso torna os corredores estreitos e os becos escuros ainda mais opressivos. A ansiedade aumenta quando você ouve algo se movendo na escuridão e precisa ajustar a câmera para identificar o que está por perto. Além disso, agora você pode ser surpreendido por um fantasma ao abrir uma porta ou pegar um item, o que pode proporcionar um bom susto.

Novidades e Melhorias

Este remake também traz novos locais e histórias secundárias, integrados de forma fluida ao conteúdo original. Esses novos ambientes adicionam uma densidade maior ao cenário, enquanto as histórias secundárias não só enriquecem a lore, mas também oferecem conteúdo adicional de jogo, como cristais que modificam suas estatísticas para os combates.

A Câmera Obscura é a protagonista nas batalhas, onde seu objetivo é tirar as melhores fotos possíveis dos fantasmas para reduzir a energia deles. Cada clique que você dá arranca uma parte da saúde do espírito, e a qualidade da foto — como o enquadramento, o filtro e o foco — determina quantos pontos você ganha. Capturar o momento certo em meio ao terror não é tarefa fácil, e os fantasmas não ficam parados esperando pelo flash.

As batalhas se tornam uma dança tensa entre manter distância para ter espaço para uma nova foto e desviar dos ataques dos fantasmas, que tentam a todo custo adicionar você ao seu time de mortos-vivos. O combate exige que você estude os movimentos do inimigo, semelhante ao que acontece em Monster Hunter, onde apenas apontar e clicar não é suficiente. Se você fotografar um fantasma no momento exato antes de ele atacar, ativa o “Fatal Frame”, que atordoa o espírito e permite que você cause ainda mais dano.

Desafios e Dificuldades

No entanto, a tensão pode rapidamente se transformar em tédio devido à resistência de muitos inimigos, especialmente na dificuldade mais baixa. O problema é que a câmera parece fraca até mesmo contra os fantasmas mais simples. O que começa como um encontro aterrador pode se transformar em um jogo de espera, onde você precisa desviar de ataques enquanto aguarda a câmera recarregar.

Por um lado, inimigos que caem com duas ou três boas fotos não representam uma grande ameaça e, portanto, não elevam a atmosfera. Por outro lado, enfrentar inimigos que demoram quase 10 minutos para serem derrotados acaba tornando as batalhas maçantes, levando você a evitar os confrontos mais por frustração do que por medo. Para piorar, os fantasmas podem se tornar “Agitados” a qualquer momento, o que os torna mais agressivos e recupera uma parte significativa da saúde que você já havia reduzido.

Melhorar a Câmera Obscura ao longo do jogo ajuda a mitigar alguns desses problemas, mas o combate nunca se encaixou completamente para mim, mesmo após estudar as mecânicas. A lentidão nas batalhas não arruína o jogo, mas é o suficiente para que eu recomende outros remakes de terror de sobrevivência antes deste.

Aspectos Visuais e Performance

Visualmente, Fatal Frame II deixa a desejar em alguns aspectos, com uma performance que atrapalha o que poderia ser uma arte bonita e atmosférica. O maior problema é a taxa de quadros, que tenta manter tudo em 30fps. Embora isso não seja exclusivo do Switch 2 — há relatos de desempenho semelhante até no PS5 Pro —, o impacto é o suficiente para tirar você da experiência e diminuir a intensidade dos encontros com fantasmas. Embora os ambientes sejam ricos em detalhes e sombras, a aparição tardia de elementos, como teias de aranha, quebra um pouco a imersão.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é um remake sólido, mas desigual, que lembra as ideias interessantes que essa franquia traz. O jogo executa muito bem o que se espera de um título de terror de sobrevivência. Os locais são assustadores, os materiais são escassos, mas sem ser excessivamente limitantes, e a sensação de medo crescente ao explorar ambientes em busca de itens é palpável. Infelizmente, isso pode ser rapidamente desfeito por encontros prolongados com inimigos e problemas de performance. Se você é fã da franquia ou de terror de sobrevivência, vale a pena conferir, pois o jogo acerta mais do que erra. Para quem está começando no gênero, é melhor experimentar os Resident Evils mais recentes ou até algo mais tranquilo, como Signalis ou Crow Country, antes de se aventurar por aqui. Fatal Frame II pode não ser o que muitos esperavam, mas é uma experiência agradável e que vale a pena.