Moss: análise da relíquia esquecida para Switch 2

Quando joguei Moss pela primeira vez no PSVR em 2018, fiquei realmente encantado. O jogo trazia uma aventura com a ambição e o brilho de um título de console, usando a realidade virtual de forma que me fazia sentir parte daquele mundo mágico. O desenvolvedor Polyarc parecia ter encontrado a fórmula perfeita para fazer um jogo de quebra-cabeças e aventura funcionar em um headset.

Agora, com Moss: The Forgotten Relic, temos uma compilação que reúne as aventuras que antes eram exclusivas do VR em um formato mais acessível para telas comuns. Voltar a esse universo foi uma delícia, mas também um teste para ver se esses jogos ainda funcionariam bem como versões convencionais. É verdade que um pouco da magia imersiva se perde, mas o coração da história permanece intacto.

The Forgotten Relic inclui toda a saga, com Moss: Book I, lançado em 2018, seu DLC, The Twilight Garden, e o mais expansivo Moss: Book II de 2022. A primeira parte é uma história bem tradicional sobre coragem e a chamada para a aventura, enquanto a sequência aprofunda a narrativa e expande bastante a jogabilidade.

Embora os jogadores não possam mais se inclinar para explorar os belos dioramas do jogo ou ajudar a adorável heroína Quill de maneira tátil, a transição do VR para o Switch 2 se mantém firme graças aos quebra-cabeças ambientais e à narrativa envolvente. Os controles foram reformulados e a câmera agora se movimenta de forma dinâmica, o que ajuda bastante.

A experiência do jogo é como um conto de fadas sendo lido em voz alta. O jogador assume o papel de um “Leitor”, uma presença misteriosa que lembra o personagem “Sem Rosto” de A Viagem de Chihiro, e acompanha Quill em sua jornada. Enquanto controla Quill em seções de plataforma e combate, o jogador também manipula elementos do ambiente como Leitor para resolver os quebra-cabeças. Essas interações, que eram muito mais táteis no VR, agora são feitas segurando o botão ZR e usando o controle direito para pegar e mover objetos, como blocos cobertos de runas e portas pesadas.

Os quebra-cabeças mais satisfatórios exigem um trabalho em equipe coordenado, onde o Leitor reorganiza partes do cenário enquanto Quill pula, escala e enfrenta inimigos. Existem momentos em que é necessário controlar Quill com um controle e um inimigo capturado com o outro, o que traz uma dinâmica interessante.

Os ambientes de Moss são como pequenos cenários de teatro, com Quill explorando tocas de madeira, vilarejos de camundongos, interiores de castelos em ruínas e minas esburacadas. Cada nova sala é um diorama fixo, repleto de rolos escondidos e detalhes que sugerem soluções para os quebra-cabeças, além de marcar superfícies que podem ser escaladas. Muitos desses cenários funcionam como caixas de quebra-cabeça compactas, onde o jogador precisa observar atentamente o espaço, anotando os interruptores, plataformas e inimigos em patrulha para descobrir a sequência correta de ações.

O Book II expande tanto a escala quanto a ambição visual desses ambientes, mostrando uma confiança maior em misturar suas mecânicas de maneira satisfatória. A sequência leva o jogador a locais como conservatórios exuberantes e forjas mecânicas, além de um castelo em ruínas com interiores opulentos transformados em formas impossíveis. As paredes se tornam passagens, portais mudam a perspectiva e os quebra-cabeças exigem que Quill troque de armas e combine várias habilidades ao mesmo tempo.

Em vez de cutscenes, os jogadores folheiam páginas ilustradas de um grande livro entre as seções jogáveis, enquanto um narrador conta a história em voz alta, mudando habilmente entre as vozes dos diversos personagens. Até mesmo as transições entre os ambientes são acompanhadas pelo suave virar de uma página, reforçando que a aventura de Quill se desenrola dentro de um livro de histórias vivo.

Comparado aos quebra-cabeças incríveis, o combate em Moss é um pouco mais raso. Quill pode atacar com sua espada, desviar e receber cura do Leitor, mas a profundidade estratégica é limitada, com ataques bem previsíveis de besouros mecânicos e outros inimigos familiares. Isso acaba parecendo mais um teste de resistência do que de habilidade.

No Book II, Quill ganha novas armas, como um chakram lançável e um pesado martelo, que também se integram ao design dos quebra-cabeças. Essas armas podem ativar mecanismos, quebrar obstáculos e ajudar na travessia. As batalhas contra chefes são mais animadas e tiram proveito das mecânicas de quebra-cabeça, exigindo que Quill e o Leitor trabalhem juntos para derrotar os inimigos.

The Forgotten Relic é um jogo que não exige muito dos jogadores, com quebra-cabeças que requerem algum pensamento, mas que dificilmente deixarão alguém preso por muito tempo. A aventura mantém um ritmo leve e acessível, com sua calorosa narrativa e mecânicas criativas, tornando-se uma experiência perfeita para a família.

Desde o lançamento original de Moss, a realidade virtual não substituiu os consoles tradicionais e não atraiu o público em massa que se esperava. Embora as aventuras de Quill tenham sido pensadas para um headset e sejam melhor aproveitadas nesse formato, sua chegada ao Switch 2 e a outros consoles parece ser uma ação válida de preservação e acessibilidade.

A performance é sempre suave, e o relançamento se beneficia de visuais aprimorados e de uma opção útil de “Pular Combate” para quem prefere focar nos quebra-cabeças e na história. A trilha sonora envolvente complementa os cenários de conto de fadas, enquanto a ótima narração e a interpretação das vozes dos personagens trazem muita calor e personalidade à aventura.