Análise de Indiana Jones e o Grande Círculo (Switch 2)

Indiana Jones é um verdadeiro ícone, e desenvolver um novo jogo da franquia deve ser tão desafiador quanto uma rocha gigante rolando ladeira abaixo. Desde que ele encontrou a Arca da Aliança em 1981, sua influência está presente em todos os tipos de mídia. E quando falamos de videogames, o impacto de sua herança é inegável. A famosa Lara Croft, por exemplo, e suas aventuras em tumbas não existiriam se não fosse por Henry Jones Jr. abrindo caminho. As experiências de Indy nos jogos têm sido variadas, com algumas pérolas e algumas decepções (oi, Staff of Kings), mas em 1992, o clássico Fate of Atlantis se destacou. Agora, a desenvolvedora MachineGames tem a oportunidade de dar sua própria interpretação ao personagem, trazendo a narrativa cinematográfica e a ação intensa que aprimorou em sua série Wolfenstein para criar um verdadeiro blockbuster.

No Nintendo Switch 2, o jogo “Indiana Jones and the Great Circle” captura perfeitamente o espírito aventureiro que faz a série tão querida. Depois de estrear no Xbox em 2024 e ganhar uma versão para PS5 em 2025, o título chega ao Switch 2 com uma apresentação que faz jus ao Harrison Ford dos anos 80, com algumas cicatrizes para dar aquele ar de experiência. Logo no início, o jogo faz uma homenagem à famosa abertura de “Os Caçadores da Arca Perdida”, e nos leva de volta a 1937, quando Indy investiga um roubo no Marshall College. Um símbolo misterioso que pertence a um ladrão imponente (interpretado pelo saudoso Tony Todd) leva nosso herói à Cidade do Vaticano. Lá, ele se une à jornalista Gina Lombardi e descobre uma conspiração secreta envolvendo um fenômeno geográfico conhecido como o Grande Círculo. E, claro, os nazistas estão de olho nesse poder sobrenatural.

A aventura leva Indy a locais como Egito, Sião, Iraque e outros pontos do globo, enquanto ele tenta proteger o segredo do Grande Círculo de um arqueólogo vilão e seus comparsas. O jogo é uma experiência em primeira pessoa que oferece uma campanha extensa, cheia de exploração, combate e quebra-cabeças arqueológicos. Os cenários são visualmente variados e repletos de missões secundárias e colecionáveis. A MachineGames aproveita o design semi-aberto que já testou em títulos anteriores, transformando cada local em um verdadeiro centro de atividades e descobertas. Cada nível tem sua identidade própria, com delícias locais que ajudam Indy a recuperar saúde e resistência.

Para desbloquear todas as áreas, você precisa avançar na história, mas explorar cada mapa em busca de itens vai prolongar a experiência além das 15 a 20 horas da aventura principal. E tem mais: o DLC “Order Of The Giants” já está disponível, trazendo uma nova história de cinco horas em catacumbas romanas. Esses locais belíssimos não são apenas decorados com prédios imponentes e uma fauna diversificada; eles estão cheios de inimigos. Disfarces ajudam Indy a se mover sem ser percebido, mas em alguns momentos, você pode precisar se aventurar em áreas mais perigosas. Professor Jones pode optar por se esgueirar ou enfrentar os vilões diretamente. No entanto, a furtividade costuma ser a melhor escolha, já que um alarme pode atrair muitos inimigos para sua posição.

Quando a abordagem furtiva falha, a luta corpo a corpo é o caminho a seguir. É nesse momento que “Indiana Jones and the Great Circle” brilha. O som de um soco atingindo o rosto de um inimigo é algo que os fãs da franquia conhecem bem. E a sensação de crack do seu fiel chicote desarmando um oponente, deixando-o vulnerável a um ataque, é muito satisfatória. A variedade de objetos que você pode usar como armas é surpreendente; de garrafas a guitarras, a diversão está em escolher a arma mais inusitada. Mesmo com a presença de armas de fogo, seu uso é raro, já que a municão geralmente é escassa em escavações no Egito.

Além da trilha sonora incrível, que traz os temas de John Williams, a atuação de Troy Baker como Indy é digna de destaque. Ele capta a confiança cansada do personagem, trazendo uma autenticidade à experiência. Mario Gavrilis, como o antagonista excêntrico Emerich Voss, também merece menção.

Mas nem tudo são flores; a arqueologia pode ser complicada. O combate pode ser frustrante às vezes, especialmente por causa de um sistema de seleção de itens que pode levar você a usar um item errado em meio a uma luta. Existem upgrades e vantagens para aumentar suas chances de sobrevivência, como reviver ao usar o chapéu de Indy, mas nos níveis de dificuldade mais altos, os combates podem ser desafiadores. Felizmente, há boas opções de acessibilidade, como a auto-defesa, que ajudam a evitar que Indy leve muitos socos.

O Nintendo Switch 2, por sua vez, se sai muito bem com esse jogo grandioso e impressionante. A presença de controles por movimento e de mouse é uma surpresa agradável, e os desenvolvedores se preocuparam em manter a qualidade visual da aventura. A performance é sólida, com resolução de 1080p quando conectado e 720p no modo portátil. Apesar da taxa de quadros ser travada em 30fps, o jogo mantém uma estabilidade notável durante a jogatina, com apenas alguns pequenos problemas de textura em áreas abertas. Jogar um título desse porte em modo portátil é realmente impressionante, e mesmo que visivelmente inferior ao modo dock, ainda é uma experiência visual e sonora incrível.