Mouse: crítica de P.I. for Hire para Switch 2

Em Mouse: P.I. for Hire, um jogo que chega para o Nintendo Switch 2, a gente se depara com uma mistura bem interessante de influências. A animação, que lembra os desenhos da década de 1920, traz um charme todo especial. A história, que se estende por cerca de 11 horas, apresenta um protagonista durão, envolto em um enredo recheado de corrupção e conspirações, algo bem característico do noir, especialmente da década de 1940. O gameplay, que mistura ação frenética com elementos de “boomer shooter” dos anos 90, traz também algumas conveniências que parecem ter surgido nos anos 2000.

Confesso que levei um tempo para me acostumar com o jogo. Mas, depois de uma ou duas horas, a experiência fluiu de forma deliciosa. O início, que poderia ter sido um obstáculo, rapidamente se transformou em um convite para continuar acompanhando a jornada do detetive rato Jack Pepper.

Logo de cara, Jack recebe a notícia de que um antigo parceiro desapareceu, e a investigação que se segue desvela uma série de mistérios interligados. A construção do mundo e a narrativa vão se revelando, como se a gente estivesse descobrindo pequenos segredos por trás de uma porta entreaberta. Fui apresentado a um grande conflito que ocorreu não faz muito tempo, criando uma divisão na sociedade que agora é conhecida como “O Velho Mundo”. Além disso, os musaranhos, vistos como uma classe inferior e empobrecida, estão sumindo sem deixar vestígios. Em uma das investigações no Teatro de Ópera de Mouseburg, um político é salvo de uma tentativa de assassinato graças à astúcia de Jack. E assim, várias tramas se entrelaçam, envolvendo um grupo de roedores fascistas, cientistas em busca de segredos proibidos e até cultos.

Cada parte dessa aventura me conquistou. É verdade que a narrativa pode parecer um pouco clichê, e logo no início somos bombardeados com trocadilhos sobre queijo, mas o roteiro é bem escrito e a dublagem é de alta qualidade, o que torna tudo ainda mais envolvente. A forma como a história é contada, com visuais vibrantes, cenas cortadas e uma trilha sonora que cria a atmosfera perfeita, deixa espaço para os personagens se desenvolverem e para algumas emoções genuínas.

A jogabilidade em primeira pessoa (FPS) poderia ter se tornado repetitiva rapidamente, mas, felizmente, a sensação de progresso logo apareceu. À medida que avançava, desbloqueava novos movimentos e armas, como saltos duplos e ganchos, além de poderosas atualizações. O desafio aumentava, e eu me vi trocando entre espingardas, armas automáticas e até bazucas, tudo isso enquanto me movia com agilidade pelo cenário, que contrastava com o estilo de animação mais lento e laborioso.

Os desenvolvedores da Fumi Games, de Varsóvia, conseguiram manter uma atenção incrível aos detalhes. Em uma das cenas, vemos animadores trabalhando freneticamente em um estúdio de cinema enquanto um tiroteio acontece ao fundo. As animações são impressionantes: desde o som das armas sendo recarregadas até os golpes que desferimos nos inimigos. A sensação de estar dentro de um desenho animado é palpável.

Até os momentos mais calmos, quando voltamos para casa para juntar as pistas, são repletos de personagens animados. É verdade que há algumas limitações no estilo, como a aparência um pouco plana dos ratos e musaranhos, mas isso não diminui a experiência.

Um ponto que me deixou um pouco desapontado foi a falta de controles de movimento. Testei os controles de mouse para a análise, e eles funcionam, mas, convenhamos, quem realmente joga assim? A performance, embora não tenha me distraído, apresentou algumas oscilações. Curiosamente, Mouse: P.I. for Hire funcionou melhor no modo de “Qualidade”, que parece travado em 30fps, do que no modo “Performance”, que busca uma taxa de quadros mais ambiciosa. No geral, essas questões foram apenas pequenas distrações. A coleta de pistas, embora possa parecer superficial, foi uma atividade divertida para mim, enquanto organizava as fotos e anotações no meu mural de cortiça no escritório.

Resumindo, quando um jogo é bom, ele realmente se destaca. Essa mistura de influências e estilos pode ter gerado algumas dúvidas no começo, mas a atenção aos detalhes e o cuidado na produção garantem que Mouse: P.I. for Hire é uma grande realização. A história pode levar um tempo para se tornar realmente envolvente, mas, assim que o combate e o estilo atingem novos patamares de qualidade, a experiência se torna marcante. Embora a coleta de pistas não tenha sido a parte mais impressionante, minha jogatina foi muito divertida. A sensação é de algo novo e divertido, e não posso deixar de parabenizar a equipe por criar este mistério animado no estilo noir. O jogo arrisca, desafia e se mostra ousado – e isso, definitivamente, funciona.