‘Bit Generations’ da Nintendo: um clássico japonês 20 anos depois
Há 20 anos, a Nintendo lançou alguns dos seus jogos mais ousados e experimentais no Game Boy Advance, mas apenas no Japão. Em julho de 2006, a companhia disponibilizou uma coleção chamada bit Generations, desenvolvida principalmente pela Skip Ltd., a mesma equipe que criou o adorável Chibi-Robo!. Essa coleção de sete jogos se destaca como um dos designs mais abstratos que a Nintendo já produziu.
Se o Game Boy Advance tivesse um eShop na época, com certeza os jogos da série bit Generations seriam o tipo de título que faria sucesso: são jogos pequenos, curiosos e construídos em torno de uma ideia forte. Naquele período, a ideia de um jogo para download ainda era novidade no universo da Nintendo. Todos os jogos foram lançados em cartuchos físicos, e a embalagem já anunciava que eram algo diferente. Cada caixa tinha uma estética visual comum, com tipografia em um fundo branco e um emblema abstrato representando o jogo. Os cartuchos, por sua vez, eram pretos, bem diferentes dos comuns.
Essa identidade única se estendeu aos jogos, que foram projetados com controles simples e jogabilidade rápida. A apresentação audiovisual é marcante, com um estilo minimalista que remete aos anos 2000, algo que a Nintendo adotaria mais tarde com o Wii e o DS. A série é uma verdadeira salada de gêneros, com jogos que vão de corrida e quebra-cabeças a gerenciamento de tráfego e até um que é jogado quase que exclusivamente através do áudio, usando fones de ouvido.
Embora nunca tenham sido lançados fora do Japão, os menus de cada jogo estão completamente em inglês, como se já estivessem preparados para um público internacional. É curioso pensar por que a Nintendo decidiu manter a série bit Generations exclusiva para o Japão. Esses jogos são pequenos e altamente experimentais, com visuais abstratos e mecânicas não convencionais, que não seriam a escolha mais fácil para o público ocidental na época, especialmente com os lançamentos mais completos de outras franquias.
Com o passar do tempo, o valor dos cartuchos originais e das edições em caixa disparou entre colecionadores. Quatro dos jogos — Dotstream, Dialhex, Orbital e Digidrive — foram relançados na série Art Style para WiiWare e DSiWare, mas Boundish, Coloris e o intrigante Soundvoyager nunca foram revisitados.
Recentemente, decidi rever a coleção completa para entender se esses sete títulos ainda têm seu charme após duas décadas. A experiência pode variar de jogador para jogador, mas no geral, bit Generations continua sendo uma coleção fascinante de se redescobrir. Esses jogos mostram a Nintendo brincando com ideias que parecem ainda ter muito potencial a ser explorado, especialmente o Soundvoyager e sua jogabilidade baseada em áudio.
Boundish
Boundish é uma coleção de minijogos inspirada no clássico Pong, mas cada um traz uma nova dinâmica e layouts de quadra inusitados. É do tipo de jogo que, assim como os clássicos Game & Watch, pode ser entendido em segundos. Não exige muita destreza ou concentração, o que faz com que seja tentador buscar uma pontuação melhor.
Coloris
Coloris é um quebra-cabeça envolvente onde você altera as cores de quadrados em um espectro definido. A cada fase, você tem uma paleta limitada, e o desafio é combinar três ou mais quadrados da mesma cor. O design sonoro é incrível e torna fácil se perder no jogo, criando uma sensação de fluxo constante.
Dialhex
Dialhex é um quebra-cabeça de blocos em queda onde você controla um disco que gira triângulos. O objetivo é formar hexágonos e eliminá-los do tabuleiro. Pode levar um pouco mais de tempo para pegar o jeito em comparação ao Tetris, mas rapidamente se torna viciante.
Digidrive
Digidrive é um jogo minimalista de gerenciamento de tráfego em um cruzamento. Usando o D-pad, você direciona veículos abstratos para uma das quatro faixas, organizando para acumular um medidor de combustível que impulsiona um núcleo em movimento. Apesar de parecer complicado, é uma experiência brilhante e frenética.
Dotstream
Dotstream reduz a corrida de arcade a seus elementos mais simples. Você controla uma linha colorida competindo contra outras linhas em um fundo preto. O objetivo é chegar à direita da tela antes dos outros, tudo isso enquanto desvia de obstáculos geométricos.
Orbital
Orbital é um jogo de navegação espacial baseado em momentum, onde você guia um pequeno corpo celeste por sistemas solares, usando a gravidade para alterar seu trajeto. É um jogo que exige paciência e precisão, com uma trilha sonora ambiente que combina perfeitamente com o ritmo meditativo.
Soundvoyager
Soundvoyager é o destaque da coleção, tanto pela novidade de sua jogabilidade quanto pela forma como executa sua proposta. Trata-se de uma série de minijogos baseados em áudio que podem ser jogados de olhos fechados. Você deve capturar sons que se equilibram no campo estéreo, montando uma composição musical ao longo do jogo. É uma experiência sensorial única que vale a pena ser vivida.
Se você já jogou algum desses títulos nos últimos 20 anos, sabe como são especiais!
