Por trás das câmeras – como New Pokémon Snap me fez lembrar do meu pai
É difícil acreditar que New Pokémon Snap já tem mais de cinco anos. Lembro como sonhava em ver uma sequência do clássico jogo do N64, em que passei horas tentando descobrir como fazer o Charmeleon evoluir ou como desbloquear o último nível com o Mew. Hoje, como adulto, consigo fazer isso em questão de horas, mas a magia de ver os Pokémon em ambientes diferentes, além das batalhas, sempre me fascinou. Acredito que foi por causa do primeiro Pokémon Snap que me apaixonei por essas criaturinhas. Um novo jogo parecia um sonho.
Mas, mesmo com toda essa empolgação, acabei pulando New Pokémon Snap no seu lançamento. 2021 foi um ano bem diferente, e minha relação com a fotografia, mais do que meus sentimentos ambíguos sobre a franquia, me fez hesitar em gastar meu dinheiro na época.
Meu pai adorava tirar fotos. Cresci em um ambiente cheio de câmeras. Nos anos 90 e início dos anos 2000, era comum que as famílias tivessem aquelas câmeras Kodak de capa amarela guardadas em alguma gaveta, prontas para um dia de praia ou uma viagem escolar. Nós até adotamos uma câmera digital bem cedo. Embora eu não o considerasse um fotógrafo profissional — ele mesmo dizia que nunca se achou bom —, ele tinha um olhar especial. Lembro de uma frase que ele escreveu em um blog antes de falecer: “Acho que vejo coisas que os outros não veem. Não é que eu seja bom, mas tenho um jeito de saber o que é uma boa foto.”
Quando comecei a jogar New Pokémon Snap, a experiência se transformou. Não era apenas “Olha que Pokémon lindo!”, mas sim “O que eu vejo nesses seres que os outros talvez não vejam?”. Meu pai, embora não fosse um fotógrafo de vida selvagem, adorava capturar paisagens e momentos especiais. E com Pokémon, já tinha uma ideia do que esperar deles, mas o novo jogo me permitiu ver essas criaturas de uma forma diferente. Era minha missão capturar a essência deles.
Logo no começo, me senti um pouco insegura. O Parque Natural Florio estava repleto de Pokémon coloridos e adoráveis, e eu tinha muitas opções para escolher. Quando fui tirar minha primeira foto, hesitei. Tentei posicionar a câmera, esperando que os Pokémon se movimentassem ou fizessem algo interessante. Não era uma paisagem perfeita; era um ser vivo. E, mesmo assim, eu tinha dificuldade até para registrar um Taillow rabugento. Fiz muitas fotos, mas não achava que eram boas, independente da avaliação do Professor Mirror.
Continuei explorando e revisitando o parque à noite, me deslumbrando com o lindo Meganium iluminado. Com o tempo, desbravei novos mapas como a Selva Founja e o Vulcão Fireflow. Aprendi novas habilidades e utilizei itens que me ajudaram a interagir com os Pokémon, tornando o jogo ainda mais divertido. Cada corrida era uma oportunidade de aprender algo novo e refletir sobre as palavras do meu pai e as fotos que ele tirou.
Um dia, na casa do meu irmão, encontrei fotos antigas de uma viagem que mal lembrava. Eram imagens minhas em um muro de pedra, com o vento bagunçando meu cabelo. Para mim, cada foto que tirava em New Pokémon Snap passou a ser uma forma de capturar momentos especiais, mesmo que fossem apenas de um Koffing ou de um Liepard. Comecei a não me importar tanto com a quantidade de fotos que podia tirar e apenas me deixei levar pelo momento.
A verdade é que até as fotos mais ruins podem ser divertidas. Eu tinha tantas imagens engraçadas do Bidoof que olhava para Dodrio, e isso só me lembrava de que tentar algo diferente vale a pena. Comecei a me importar menos com a pontuação do professor e a guardar as fotos que realmente significavam algo para mim.
New Pokémon Snap, com sua abordagem arcade, me fez perceber a importância da fotografia, tanto no jogo quanto na vida real. As fotos que meu pai tirou, desde uma garrafa de champanhe no gramado até um pôr do sol bonito, foram uma extensão dele. Essas imagens representam como ele via o mundo. E, ao mergulhar na fotografia do jogo, consegui manter viva a memória dele de uma forma especial.
Memórias são valiosas, e às vezes precisamos de um empurrãozinho, como um clique rápido de uma foto desfocada ou um Pokémon fugindo antes que a câmera capture. Mas, no meio disso, estão os momentos que realmente importam e que guardamos para sempre.
